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quarta-feira, 20 de março de 2019

Flashes Biográficos (3): Jorge Theriaga... o maior astro da História do bilhar nacional


JORGE THERIAGA (Bilhar): Numa anterior viagem ao passado da nobre e gloriosa História do nosso desporto, evocámos aquela que foi a primeira conquista internacional alcançada pelo bilhar português. Um feito alcançado por Alfredo Ferraz, que em 1939 venceu, em Lausanne, o Campeonato do Mundo de bilhar livre.
Esta efeméride leva-nos hoje a uma nova incursão ao passado, para recordar a maior lenda do bilhar nacional: Jorge Theriaga.
É unanimemente considerado o maior jogador português de todos os tempos, não só pelas dezenas de títulos nacionais e internacionais conquistados ao longo de mais de três décadas de atividade, mas sobretudo pela sua ímpar perícia enquanto bilharista.
Médico de profissão, Jorge Theriaga nasceu em Lisboa a 8 de março de 1954 e com apenas 18 anos começa a dar nas vistas no clube do seu coração, o Sporting, emblema do qual se fez associado com a tenra idade de 8 anos. Nesse ano de 72, o então estudante de medicina vence o seu primeiro título oficial, o campeonato de juniores de bilhar às 3 tabelas, a variante de bilhar em que se tornou mestre... e lenda.
Esta seria só a primeira tacada coroada de êxitos no que a títulos concerne. Senão vejamos.

Foi por 19 vezes campeão nacional individual (sénior), oito dos quais de forma consecutiva, sendo que o primeiro ceptro foi conquistado em 1979. A solo, venceu ainda uma Taça de Portugal. No plano coletivo foi por 11 vezes campeão nacional, conquistando ainda três taças de Portugal e seis supertaças nacionais.
O seu talento galgou já nos anos 80 as fronteiras nacionais, sendo que a nível individual logrou em 1986 alcançar um brilhante 3.º lugar no Campeonato da Europa às 3 Tabelas, nesse ano disputado na cidade luxemburguesa de Mondorf-les-Bains e onde o craque luso só seria derrotado pelo campeão em título, Torbjorn Blomdhal. 
Três anos mais tarde, na Áustria, o astro do bilhar português tocou finalmente o céu no plano individual, após vencer o Campeonato do Mundo de Triatlo (variante que integra as 3 tabelas, bilhar livre e 71/2).
Em 1994, na localidade alemã de Viersen, chega às medalhas de prata e de bronze no Campeonato do Mundo de 3 Tabelas em termos coletivos (fez dupla com Mário Ribeiro). Ali volta em 1995, para levar para casa, também no plano coletivo (e novamente ao serviço da seleção nacional), uma nova medalha de bronze. Neste mesmo ano, mas agora no plano individual, conquista em Praga uma medalha de bronze no Campeonato da Europa às 3 Tabelas, feito que repete quatro anos mais tarde no Porto.

No meio de tantos e tantos sucessos, há ainda a destacar as duas medalhas de ouro - equivalentes a títulos planetários - arrecadadas por Theriaga na Taça do Mundo às 3 Tabelas, tendo a primeira delas sido conquistada em 1994, no Grande Prémio da Holanda, em Dongen, e a segunda dois anos mais tarde no Grande Prémio da Turquia, em Antalya. No âmbito da Taça do Mundo arrecadou ainda quatro medalhas de prata (95, em Atenas, 97, em Seul, 98, em Korfu, e 99, em Oosterhout), bem como uma medalha de bronze, em 1996, em Atenas.
Tal como diz o velho ditado "quem sabe não esquece", aos 61 anos de idade, Jorge Theriaga volta a fazer história no bilhar nacional. A 17 de fevereiro de 2015, estabeleceu um novo recorde nacional, ao realizar numa só partida 40 carambolas em 10 entradas.
Este seu percurso valeu-lhe, naturalmente, inúmeras distinções, desde o Comité Olímpico Português, até ao Instituto Nacional do Desporto. Porém, a mais pomposa terá sido, provavelmente, a medalha de Bons Serviços Desportivos, que lhe foi atribuída pelo Governo Português em 1989. 

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

A tacada certeira do primeiro título mundial conquistado por Portugal

Alfredo Ferraz
Mais do que um mero passatempo popular praticado por grupos de amigos que ao fim do dia se juntam num qualquer café e/ou salão para usufruir de umas horas de convívio, o bilhar tem sido ao longo da sua estadia no nosso país uma das modalidades que mais títulos internacionais tem oferecido à nação lusa, embora há que dizê-lo - com profundo lamento - que muitos deles são ignorados por uma imprensa - nacional - que teima em fazer do futebol filho único no panorama desportivo português. Ao bilhar, Portugal deve mesmo a sua primeira coroação como rei do planeta, o mesmo é dizer que foi através desta modalidade que o país arrecadou pela primeira vez na história um título mundial. O grande responsável por essa conquista foi um dos maiores jogadores lusitanos de todos os tempos, senão mesmo o maior de todos, como defendem muitos historiadores desportivos. Alfredo Ferraz assim se chamava o mestre do bilhar luso, uma figura carismática que é visto como o grande impulsionador da modalidade - no plano da competição - no decorrer da década de 30 do século passado. Ao nível estrutural a primeira tacada do bilhar lusitano é dada em 1930, ano em que nasce no Porto a Federação Portuguesa dos Amadores do Bilhar, organismo este que dois anos mais tarde leva a cabo na cidade de Espinho a terceira edição do Campeonato do Mundo de Bilhar Livre, tendo a seleção nacional sido representada por Portugal da Mata, e Alfredo Ferraz. 

Mas esta foi apenas a primeira de muitas aparições internacionais de Ferraz, um autodidata do bilhar nascido na ilha da Madeira a 8 de novembro de 1901, que ainda jovem deixa a sua terra rumo a Lisboa para estudar no Instituto Superior Técnico. A paixão pelo bilhar fá-lo dois anos depois da sua chegada à capital desistir do curso para se dedicar por inteiro a uma modalidade onde foi um virtuoso intérprete. O seu invulgar talento cativava o mar de olhares que muitas vezes lotava os célebres Bilhares do Rossio, um espaço que com a aparição de Ferraz se tornou na meca do bilhar lusitano.

Alfredo Ferraz, Juan Butrón, e José Alabern
durante o 1º Portugal - Espanha
Se em 1932 Alfredo Ferraz falhou o assalto às medalhas no primeiro Mundial de bilhar em que participou, dois anos mais tarde abraçaria a prata, sendo este o seu primeiro feito de relevo na prova máxima do bilhar livre a nível global. Em 1938 ele é uma das figuras de cartaz do primeiro confronto entre Portugal e Espanha, encarando na época outra lenda da modalidade a nível internacional, o espanhol Juan Butrón, que em 1932 havia conquistado em Espinho o título mundial.
Em 1939 Alfredo Ferraz ascende definitivamente ao Olimpo na sequência da conquista do título mundial de bilhar livre, arrecadado em Lausanne (Suíça).
Esta era a primeira vez que um atleta português - fosse em que modalidade fosse - se sagrava campeão do Mundo! Este título foi um entre muitos - nacionais e internacionais - conquistado pelo madeirense ao longo de uma carreira ímpar, atleta que em 1956 seria agraciado pelo Estado português com a Medalha de Mérito Desportivo, alta distinção nacional onde Alfredo Ferraz também fez história, já que foi o primeiro desportista a conquistá-la.