quinta-feira, 15 de agosto de 2019

Flashes Biográficos (11): Anselmo Fernandez


ANSELMO FERNANDEZ (Futebol): Nunca uma passagem tão fugaz pelo comando técnico de uma equipa gerou tanto sucesso como aquele angariado por este “mestre da tática”. Pelo seu punho ajudou o Sporting Clube de Portugal – o seu clube do coração – a escrever uma das páginas mais reluzentes da sua gloriosa história. O seu amor ao futebol era puro e desinteressado, tão desinteressado que nunca quis viver às custas desta nobre modalidade. Assim não o tivesse feito - por outras palavras, se tivesse abraçado a bola como profissão a tempo inteiro - e hoje estaríamos aqui a recordar os feitos de uma lenda mundial das táticas como foram Herbert Chapman, Hugo Meisl, Vittorio Pozzo, Sepp Herberger, Bobby Robson, Alf Ramsey, Rinus Michels, entre outros, muitos outros homens que mais do que terem conquistado títulos de grande prestígio internacional ao longo das suas carreiras ajudaram o desporto rei a evoluir. Foram os cientistas da bola, imaginando e aplicando novos conceitos táticos que revolucionaram o jogo ao longo de décadas. A ilustre personalidade de hoje andou muito perto do caminho da imortalidade no que concerne aos “mestres da táctica” já que também ele era um visionista, um homem que vivia adiantado no tempo.
Sem mais demoras apresentamos Anselmo Fernandez, o arquiteto, o homem que conduziu o Sporting à conquista da Taça dos Vencedores das Taças em 1964. Mas já lá vamos.

Anselmo Fernandez nasceu em Lisboa a 21 de agosto de 1918 e desde cedo – como tantos outros – se deixou enfeitiçar pelo bichinho da bola. Aos 16 anos iniciou a sua curta carreira de futebolista no emblema da sua paixão, o Sporting. E curta porque uma apendicite o afastaria de uma possível carreira promissora. Desistiu do futebol mas não do desporto, enquanto praticante, sendo que tempos mais tarde iniciaria uma aventura no râguebi. Numa altura em que o profissionalismo no desporto estava ainda a léguas de ver a luz do dia Anselmo Fernandez nunca perdeu os estudos de vista, pelo que na hora de eleger uma profissão optou pela arquitetura.

Uma área onde foi mestre, não só nos edifícios que criou – entre outros foi responsável pela construção do Hotel Tivoli, e da Reitoria da Universidade, ambos em Lisboa, e com Sá da Costa foi também um dos mentores do projeto do antigo Estádio José de Alvalade – mas também nos projetos táticos que haveria de desenhar de leão ao peito na década de 60.
Possuidor de um estilo de treino muito particular – entre outros aspetos foi o primeiro treinador português a recorrer ao vídeo para analisar os adversários – Anselmo Fernandez é chamado em 1962 a substituir o mítico treinador húngaro Joseph Szabo no comando do seu Sporting. Faria cinco jogos, e nos cinco obteve outras tantas vitórias. Desta primeira passagem pelo banco leonino encontrei recentemente um relato que o próprio Anselmo Fernandez fez ao jornal “A Bola”, o qual passo a reproduzir na integra:
Em 1962, dirigentes do Sporting pediram-lhe que se tornasse supervisor técnico do futebol do clube, para apoiar Szabo, que era já treinador com a estrela empalidecida. «As coisas estavam a correr mal, chamaram-me a dar um jeito, em cinco jogos cinco vitórias, uma delas, sensacional, sobre o FC Porto, no Porto. Os portistas, depois de terem empatado na Luz, ficaram com o título quase garantido, mas nós acabámos por tramá-los...»
Foi nesse jogo do Porto que Anselmo Fernandez trouxe à colação os primeiros indícios da sua argúcia. E da sua personalidade. «Para esse jogo, não viajara com a equipa. Quando chegaram ao Porto, já eu estava no Hotel Batalha. Disseram-me que o Carvalho se portara
mal e que o Lúcio decidira, por si, comer três pregos e beber três cervejas em Aveiro, onde parámos para comer uma sande de fiambre e beber um sumo. Disse logo ao Juca, que era o treinador de campo, que não jogariam. Ficou em pânico! Quem poderia substituí-los? Disse-lhe que o Libânio e o Morato. Houve logo quem pensasse que eu endoidecera. Mais convencidos disso ficaram quando me recusei a ir para o banco e quando vibrei com o golo do empate do... F. C. Porto! Manuel Nazaré, que me acompanhara para um recanto do relvado, perguntou-me, então, o que se passara. Disse-lhe que aquele golo do F. C. Porto, pouco antes do intervalo era uma... leitaria, que, assim, ganharíamos pela certa. Assim foi, vencemos por 3-1. O Campeonato acabou, ofereceram-me uma fortuna, não quis, não era parvo e como era arquiteto...»

Posto isto, um interregno de dois anos surgiu no caminho do arquiteto no que concerne ao trabalho direto com o futebol. Regressaria na temporada de 1963/64 e de novo ao comando do clube que tanto amava, o Sporting. Desta feita para substituir o brasileiro Gentil Cardoso, uma troca que não poderia ter um final mais feliz. Gentil Cardoso saíra do clube pela porta pequena após ter sido goleado em Manchester por 4-1 pelo United local num encontro a contar para a 1ª mão dos quartos-de-final da Taça dos Vencedores da Taças (TVT), na altura já a segunda prova europeia mais importante ao nível de clubes da UEFA. Recorrendo uma vez mais aos arquivos históricos do jornal “A Bola” recordemos então o que se passou a seguir à terrível noite de Old Trafford.

Ao jantar, depois do jogo maldito, os diretores estavam desolados. Aparentemente resignados. «Manuel Nazaré afirmou-me que nada haveria a fazer, que estávamos lixados. Gracejando, disse-lhe que comigo como treinador talvez não... O desabafo passou como ironia. Nem eu queria que fosse outra coisa. No domingo seguinte, contra o Olhanense, estava o Sporting empatado,
1-1, deixei o camarote, 15 minutos antes de o jogo terminar, cheguei a casa, disse à minha mulher que não tardaria a tocar o telefone. Assim foi. Era o Nazaré a convidar-me para treinador. Aceitei e chamei o Francisco Reboredo, que estava nos juniores do F. C. Porto, para treinador de campo. Na estreia, contra o Benfica, na Luz, empate a 2-2. E quarta-feira, aquele jogo mágico dos 5-0 ao Manchester, a caminhada fulgurante para a conquista da Taça das Taças...»

Pois é, a epopeia começa aqui a escrever-se no célebre jogo da 2ª mão em Alvalade ante o Manchester United treinado por outra lenda da tática, Matt Busby. Missão impossível para muitos, incluindo grande parte da família sportinguitsa, o que é certo é que naquela noite o futebol português viveu um dos momentos mais felizes e épicos da sua longa e gloriosa história, muito à custa do Sporting e em particular do homem que comandava os seus destinos desde então: o “arquiteto”. 5-0 e a eliminatória estava virada e o Sporting alcançado as meias-finais da prova europeia. O poderoso Manchester tinha sido vergado face a uma exibição do... outro mundo de 11 leões indomáveis. Mas a viagem de sonho não iria ficar-se por ali, muito longe disso. Antuérpia, bela cidade belga, seria o porto de destino – final – da nau leonina. Localidade onde foi realizada a finalissíma da TVT dessa temporada na sequência de um empate a três golos na final de Bruxelas. Em Antuérpia Morais deu aso ao sonho de trazer para Portugal a primeira e única TVT. E tudo aconteceu graças a um golo de canto direto... o cantinho do Morais como ficou eternizado. O Sporting vencia assim o seu único – até à data – troféu internacional. Um vitória arquitetada por Anselmo Fernandez, um homem que durante essa gloriosa campanha europeia não quis receber um único tostão que fosse do clube. Fez tudo por amor... amor ao futebol e ao Sporting.
“A Bola” recordou então que...

No entanto, quando Brás Medeiros tomou a presidência do Sporting, Jaime Duarte decidiu propor-lhe um verdadeiro contrato de treinador, oficializando uma situação que não era
justo continuar assim. «Ofereceram-me 15 contos por mês, valor que, naquela altura, era baixo para um treinaador, sobretudo depois da vitória na Taça das Taças. Aceitei. Só recebi um mês, porque, já na época seguinte, depois de ganharmos 4-0 ao Bordéus, demiti-me simplesmente porque, antes do jogo, o vice-presidente Pereira da Silva decidiu enviar aos emigrantes em França uma carta de captação de simpatias, com as assinaturas de 11
jogadores. Leu a carta, ao almoço, embevecido, perguntou-me a opinião, disse-lhe que a ideia era gira, mas que achava que, por enquanto, ainda era eu o treinador, não percebendo, por isso, porque estavam lá aqueles 11 nomes e não outros. Ganhámos e... em Lisboa, demiti-me. Nunca mais voltei ao Sporting...»

Anos mais tarde quando treinava a CUF – conjunto que levou à Taça UEFA – um terrível acidente de viação na ponte sobre o Tejo (Lisboa) colocou-o às portas da morte. Foi submetido a uma delicada operação ao cérebro, passando vários meses em coma. Driblou a morte e remeteu desde então o futebol para o baú das recordações. À “A Bola” recordaria anos mais tarde que «as luzes e a glória perturbaram-me. Por isso não me magoa que 99% dos sportinguistas possam não saber que o treinador do Sporting que ganhou a TVT foi um arquiteto de profissão, filho de espanhóis de Zamora, mas que nasceu em Lisboa e fez do Sporting a sua mais apaixonante ligação a Portugal».
Morreria a 19 de Janeiro de 2000, em Madrid.

Legenda das fotografias:
1- Anselmo Fernandez
2- A célebre equipa do Sporting que conquistou a TVT

domingo, 11 de agosto de 2019

A epopeia do primeiro título internacional de Portugal

O cartaz oficial do Europeu
de juniores de 1961

O nascimento da Primavera de 1961 trouxe consigo a primeira grande conquista do futebol português no plano internacional: o título de campeão europeu de juniores. Um êxito consumado em território luso, que entre 28 de março e 9 de abril desse longínquo ano foi palco da 14ª edição do Torneio Internacional de Juniores da UEFA, a prova que antecedeu ao atual Campeonato da Europa de Sub-21. Treze seleções marcaram presença num certame que foi desenrolado nas cidades de Braga, Porto, Coimbra, Leiria, Évora e Lisboa. Entre esses 13 combinados nacionais encontrava-se o talentoso grupo português, formado por excelentes executantes, sendo que grande parte deles havia sido responsável pelo brilhante 3º lugar conquistado um ano antes no Europeu da categoria realizado na Áustria. Selecionado lusitano que em 1961 foi arquitetado por uma talentosa dupla de profundos conhecedores do desporto rei que então davam os primeiros passos nas suas notáveis carreiras. Um deles dava pelo nome de David Sequerra, jovem jornalista do Mundo Desportivo que com apenas 26 anos assumia as funções de selecionador nacional, enquanto que o outro era nem mais nem menos do que José Maria Pedroto, figura que após encerrar uma estupenda carreira de futebolista iniciava um não menos estupendo - e inigualável - percurso como mestre da tática - vulgo treinador. Dois homens que abriram então o caminho da glória do futebol lusitano no plano internacional, sobretudo ao nível dos escalões de formação, onde Portugal criou uma imagem vencedora nas décadas que se seguiram. Mas em 1961 seria porventura impensável ver a nação ibérica subir ao lugar mais alto do pódio fosse em que competição fosse.

Colónia Balnear "O Século" no início
da década de 60
De tal modo que um misto de surpresa e alegria pairou sobre o Estádio da Luz a 8 de abril desse ano, dia em que os putos portugueses esmagaram a Polónia por 4-0 e sagraram-se campeões da Europa. Um sonho real que teve início cerca de duas semanas antes, quando no Porto, no Estádio das Antas, a seleção lusa alcançou um difícil empate a zero bolas diante de uma das grandes favoritas a vencer a competição, a Itália, em jogo a contar para o Grupo A. Em 2 de abril Portugal jogava o tudo ou nada no Estádio de Alvalade ante a Inglaterra. Sabendo da importância de uma vitória para seguir em frente os jovens portugueses colocaram em campo todo o seu talento, e munidos ainda de um forte espírito de união cilindraram a armada britânica por 4-0, com golos de António Simões, Mário Nunes e Serafim, este último com dois tentos na conta pessoal. Face a este pesado score de nada valeu a sofrida vitória dos italianos dois dias depois, em Braga, ante os ingleses, por 3-2, já que face à diferença entre golos marcados e sofridos os lusos ficaram com o primeiro lugar do grupo e o consequente passaporte para as meias-finais.

No início dos anos 60 Portugal ainda era um país com muitas carências: ao nível de infraestruturas, vias de comunicação, ou transportes, por exemplo. Não foi pois de admirar que o torneio se tivesse desenrolado sob diversos constrangimentos, sobretudo ao nível de alojamento das 13 equipas e do transporte das mesmas. Com parcos recursos financeiros para suportar as despesas inerentes ao torneio a Federação Portuguesa de Futebol (FPF) optou por alojar as seleções participantes na Colónia Balnear Infantil "O Século", em São João do Estoril. Um alojamento modesto, sem grandes condições, onde os jogadores dormiam com os pés de fora, visto que as camas ali existentes eram destinadas a crianças! Descontente com esta situação a seleção italiana logo tratou de custear um hotel melhor para os seus atletas, escolhendo uma das melhores unidades hoteleiras da costa do Estoril. A juntar a estas condições o facto de as seleções viajarem de cidade em cidade em velhos comboios poeirentos... Era assim o Portugal de então. Apesar de todas estas barreiras estruturais a seleção nacional continuava o seu trajeto imaculado na prova, sendo que nas meias-finais defrontou a vizinha Espanha no Estádio José de Alvalade. Partida onde Serafim, avançado corpulento que pertencia aos quadros do FC Porto, voltou a ser o abono de família, apontando três dos quatro golos - o outro foi do capitão Crispim - com que a seleção afastou os espanhóis e garantiu assim a presença na final.

David Sequerra e Pedroto,
a dupla que arquitetou o título
europeu de 1961
A campanha dos jovens lusos despertou grande euforia numa nação carente de vitórias desportivas. Diga-se em nota de rodapé que em termos de historial Portugal somava quatro vitórias, outros tantos empates, e igual número de derrotas nos 12 jogos que desde 1954 - ano em que este torneio da UEFA conheceu a sua primeira edição - havia disputado no Torneio Internacional de Juniores. Foi pois com profundo entusiasmo e atenção que os portugueses encararam a grande final de 8 de abril, no Estádio da Luz, protagonizada pelas seleções de Portugal e da Polónia. Sob arbitragem do espanhol José Ortiz de Mendibil os pupilos de José Maria Pedroto deram mais um recital de futebol, chegando à vantagem logo ao minuto 9 pelo inevitável Serafim. Este atleta haveria de ser a figura do dia, já que em mais três ocasiões - aos minutos 27, 49 e 78 - faria o gosto ao pé, consumando assim o primeiro grande título internacional do futebol português. Pelos seus 9 golos - que o consagraram o melhor marcador do torneio - Serafim foi naturalmente um dos rostos que viria a ganhar notoriedade no palco principal do futebol, isto é, no patamar sénior. Avançado possante e atlético ele tornar-se-ia nos anos seguintes titular indiscutível do FC Porto, formando uma veloz ala esquerda com Nóbrega. Em 1963 transferiu-se para o Benfica, naquela que foi a transferência mais cara até então do futebol português. Na Luz não deu seguimento ao seu potencial, visto que na equipa titular dos lisboetas figuravam nomes como Eusébio, José Torres, ou Simões. Ao serviço do Benfica só efetuou cinco jogos a contar para as competições europeias, todos eles referentes à Taça dos Campeões Europeus. A partir da época de 1966 / 67 passou a representar a Associação Académica de Coimbra.

António Simões
Outro dos nomes que viria a fazer furor nos anos seguintes foi o de António Simões, veloz e hábil extremo do Benfica, clube onde viria a atingir a glória juntamente com Eusébio, Mário Coluna, José Torres, ou José Augusto, nomes que fizeram do clube da Luz um dos gigantes do futebol continental da década de 60. Fernando Peres, Oliveira Duarte, ou o guarda-redes Rui Teixeira, foram outros dos jovens campeões da Europa de 61 que vingaram no patamar sénior, edificando carreiras notáveis quer ao serviço dos seus respetivos clubes quer na principal seleção nacional. Neste último combinado o jogador daquela equipa de 1961 que mais se distinguiu foi talvez António Simões, que de quinas ao peito foi um dos protagonistas da epopeia portuguesa vivida no Campeonato do Mundo de 1966, realizado em Inglaterra, onde Portugal conquistou, como se sabe, um inesquecível 3º lugar. Terá pois algum cabimento dizer que a vitória da seleção de juniores em 61 abriu o caminho das vitórias internacionais do futebol português, o qual na década de 60 viu o Benfica sagra-se bi-campeão da Europa de clubes, o Sporting vencer a Taça dos Vencedores das Taças, e a já citada e formidável campanha de Portugal no Inglaterra 66.

Serafim, o goleador
do torneio
Onda vitoriosa internacional que teve continuidade nas décadas seguintes, com as seleções jovens de Portugal a triunfarem em diversas competições organizadas pela UEFA e pela FIFA - destacando-se aqui os títulos de campeões mundiais de sub-20 em 1989 e 1991.
É pois justo dizer-se que tudo começou na Primavera de 61, graças à brilhante vitória alcançada por Rui Teixeira (FC Porto), João Melo (Benfica), Armelim Viegas (Académica), Amândio Gonçalves (Benfica), Santos Nogueira (Benfica), Valdemar Pacheco (FC Porto), Tito (Leões de Santarém), Faria (FC Porto), Calhau (Sanjoanense), Manuel Carriço (Vitória de Setúbal), Manuel Moreira (Leixões), Manuel Rodrigues (Belenenses), Oliveira Duarte (Sporting), José Crispim (Académica), Rebelo (Académica), Mário Nunes (Académica), Jorge Lopes (Benfica), José António (Barreirense), Serafim Pereira (FC Porto), Fernando Peres (Belenenses), Luís Mira (Barreirense) e António Simões (Benfica), os 22 atletas que sob o comando da jovem dupla David Sequerra e José Mania Pedroto venceram este Torneio Internacional de Juniores da UEFA.

Os arquitetos do êxito: David Sequerra e Pedroto

David Sequerra
Naturalmente que o talento dos 22 futebolistas selecionados para este Europeu de juniores foi fator fundamental para que a seleção alcançasse o título, mas a responsabilidade da descoberta e exploração desse talento deve ser repartida por dois homens: David Sequerra e José Maria Pedroto. O primeiro era, como já referimos, um jovem jornalista, especializado no futebol jovem. Este brilhante homem das letras - que integra a seleção de grandes mestres do jornalismo desportivo nacional (de todos os tempos), ao lado de Cândido de Oliveira, Homero Serpa, Cruz dos Santos, Aurélio Márcio, Neves de Sousa, ou Tavares da Silva - iniciou o seu percurso aos 20 anos, no Mundo Desportivo, jornal de referência da época onde dedicou especial atenção ao futebol de formação, criando para isso uma coluna no citado jornal intitulada "Acompanhando os Jovens". Os seus vastos conhecimentos no futebol de formação valeram-lhe então o convite da FPF para o cargo de selecionador nacional das equipas mais jovens de Portugal. E para o treino de campo David Sequerra escolheu em 1961 outro jovem, um homem que havia dado por encerrada uma notável carreira de futebolista - ao serviço de clubes como o Leixões, Lusitano de Vila Real de Santo António, Belenenses e FC Porto - precisamente um ano antes, de seu nome José Maria Pedroto.

José Maria Pedroto
Natural de Lamego, onde nasceu a 21 de outubro de 1928, Pedroto abraçava na seleção de juniores a sua primeira experiência como treinador principal. E desde logo vincou a sua veia de mestre, de revolucionário - no bom sentido -, de exímio líder que aliava profundos conhecimentos futebolísticos a um poder notável de motivação. Estes foram alguns dos condimentos que fizeram de Pedroto um mestre da tática, um dos melhores de todos os tempos do futebol português. Um vencedor, acima de tudo. Depois das seleções jovens o Zé do Boné - como ficou eternizado graças à peculiar indumentária habitual que usava no seu dia-a-dia - colocou a sua inteligência e visão avançada no tempo ao serviço de emblemas como a Académica, o Leixões, o Varzim, o Vitória de Setúbal, e o Boavista - sendo que nestes dois clubes alcançou êxitos nunca dantes vividos por estes emblemas. Mas seria ao serviço do clube do seu coração, o FC Porto, que atingiu o topo da montanha da glória. Para os portistas Pedroto significou a viragem. Pedroto fez do FC Porto um clube vencedor, criou uma mística que perdura até hoje na Invicta, um mística de conquistas, uma mística de glória. Pedroto abriu o caminho dos títulos ao clube azul e branco, um caminho que idealizado juntamente com o seu grande amigo Jorge Nuno Pinto da Costa, o homem que há mais de três décadas se mantém no comando do clube. É justo dizer-se que Pedroto foi um dos arquitetos do FC Porto dos dias de hoje, um clube de dimensão mundial.
O capitão Crispim recebe a taça

Números do Torneio Internacional de Juniores da UEFA de 1961

Grupo A
Porto (Estádio das Antas): Portugal-Itália 0-0
Lisboa (Estádio de Alvalade): Portugal-Inglaterra 4-0
Braga (Estádio 28 de Maio): Itália-Inglaterra 3-2

Classificação:
1. Portugal – 3 pontos
2. Itália – 3 pontos
3. Inglaterra – 0 pontos

Grupo B
Lisboa (Estádio do Restelo): Turquia-Áustria 6-3
Lisboa (Estádio do Restelo): Turquia-Espanha 2-2
Coimbra (Estádio Municipal): Espanha-Áustria 6-1

Classificação:
1. Espanha – 3 pontos
2. Turquia – 3 pontos
3. Áustria – 0 pontos

Grupo C
Leiria (Estádio Municipal): Alemanha-Bélgica 4-0
Braga (Estádio 28 de Maio): Roménia-Holanda 3-1
Lisboa (Estádio do Restelo): Bélgica-Holanda 1-1
Lisboa (Estádio de Alvalade): Alemanha-Roménia 0-0
Lisboa (Estádio da Luz): Alemanha-Holanda 3-0
Coimbra (Estádio Municipal): Roménia-Bélgica 1-0

Classificação:

1. Alemanha Ocidental – 5 pontos
2. Roménia – 5 pontos
3. Holanda – 1 ponto
4. Bélgica – 1 ponto

Grupo D
Leiria (Estádio Municipal): Polónia-França 4-1
Évora (Campo da Estrela): França-Grécia 3-2
Lisboa (Estádio da Luz): Polónia-Grécia 2-2

Classificação:

1. Polónia – 3 pontos
2. França – 2 pontos
3. Grécia – 1 ponto

Meias-finais
Lisboa (Estádio de Alvalade): Portugal-Espanha 4-1
Porto (Estádio das Antas): Polónia-Alemanha 2-1

3º/4º lugar
Lisboa (Estádio Nacional): Alemanha-Espanha 2-1

Seleção portuguesa que foi campeão europeia de juniores em 1961
Final
Lisboa (Estádio da Luz): Portugal - Polónia 4-0

Nascimento da A.F. Lisboa coincide com o único título conquistado pelo primeiro grande clube português


Trazido pela mão dos irmãos Pinto Basto em finais do século XIX o futebol em Portugal iniciou a sua curva ascendente no que a popularidade diz respeito nos inícios dos 100 anos que se seguiram, altura em que surgiram os primeiros duelos acesos entre os clubes que iam florescendo a uma velocidade estonteante, duelos que começavam a despoletar nos corações do povo lusitano a paixão por aquele belo jogo nascido em Inglaterra. O primeiro grande centro futebolístico português foi Lisboa, cidade que em finais do século XIX e princípios do século XX viu nascer uma série de clubes que ajudaram a enraizar o jogo na cultura lusitana. Nasceram as primeiras rivalidades clubísticas, os primeiros disputadíssimos torneios, e naturalmente as primeiras lendas dos retângulos de jogo. Contudo, e talvez porque fosse algo novo, a organização foi digamos que o calcanhar de aquiles do jovem futebol português. Nos anos iniciais as regras muitas vezes não eram respeitadas, causando o caos entre clubes, jogadores, e adeptos. Foi preciso esperar até 1910 para que finalmente o futebol fosse estruturado dos pés à cabeça, tendo para isso muito contribuído o nascimento da Associação de Futebol de Lisboa (AFL), a primeira associação do país, e para muitos a primeira entidade reguladora a sério do fenómeno futebolístico luso.
Na viagem de hoje ao passado vamos então recordar as incidências do primeiro Campeonato (regional) de Lisboa organizado pela AFL, e recordar o seu primeiro campeão oficial, aquele que na época era o clube mais bem estruturado do ainda criança futebol nacional.

Como já vimos as competições inter-clubes começaram a surgir um pouco por todos os quatro cantos da capital portuguesa nos inícios do século passado. Esta atividade não era mais do que o resultado dos elevados índices de popularidade que o futebol granjeava na urbe lisboeta. A imprensa começava a dar destaque aos jogos que se desenrolavam aqui e acolá, e com naturalidade surgiram pois os primeiros campeonatos regionais. Em meados de 1906 os principais emblemas lisboetas da época reúnem-se com a intenção de criar um organismo que orientasse e coordenasse uma grande competição. Dessa reunião nasce a Liga Football Association (LFA), o organismo (presidido por Joaquim Costa e secretariado por um tal de José de Alvalade, esse mesmo, o mentor do Sporting Clube de Portugal) que tutela o primeiro campeonato de Lisboa, cujo pontapé de saída foi dado na temporada de 1906/07. Grande dominador do futebol daqueles dias o Carcavelos Club - composto exclusivamente por jogadores ingleses a laborar no Cabo Submarino - conquistou o título, levando a melhor sobre o Benfica, o Lisbon Cricket, e o Clube Internacional de Futebol, popularmente conhecido como CIF.

A arte futebolística dos ingleses do Carcavelos seria vincada nas duas edições seguintes, com a obtenção de mais dois ceptros regionais, sendo que na temporada de 1907/08 o Campeonato de Lisboa passa a ser organizado por uma nova entidade, a Liga Portuguesa de Futebol (LPF), a sucessora da LFA. Januário Barreto, médico de profissão, árbitro, jogador, e ilustre dirigente desportivo - exerceu entre outros cargos o de presidente do Sport Lisboa - foi o primeiro presidente do recém-nascido organismo. Mas a vida da LPF seria curta.

Ainda antes do Benfica colocar em 1909/10 um ponto final no reinado de três anos consecutivos dos ingleses do Carcavelos Club na competição, mosquitos por cordas começaram a surgir em catadupa no seio do futebol lisboeta. Com as rivalidades entre clubes ao rubro, as águas agitavam-se entre adeptos, jogadores e dirigentes. A indisciplina reinava nas relações entre clubes, causadas por queixas contra árbitros, ou decisões da LPF. Os regulamentos raramente eram cumpridos. Os jogadores mudavam de camisola quando bem lhes apetecesse, os clubes desistiam a meio das provas, além de que a segurança não existia numa época em que as rivalidades levavam os adeptos a ultrapassar a fronteira que separa os bons costumes da selvajaria. Tudo isto, ao que se juntou a morte de Januário Barreto, levou a que em 1910 a LPF fechasse portas. O futebol vivia em tumulto, tal como aliás o próprio país, que se encontrava em transição do regimo monárquico para o da república.

Tumulto cujo ponto final foi colocado a 23 de setembro desse longínquo 1910, dia em que nasce a Associação de Futebol de Lisboa, a entidade que haveria de dinamizar o futebol associativo em Portugal dali em diante.
AFL que tomou de imediato conta do Campeonato de Lisboa, tendo logo em 1910/11 chamado a si a organização do certame, que iria contar com a participação de sete clubes, nomeadamente o CIF, o Benfica, o Sporting, o Campo de Ourique, o Império, o Lisboa Football Club, e o União Belenense. Notava-se a ausência de alguns clubes históricos dos primeiros anos de futebol em Portugal, desde logo os ingleses do Carcavelos Club, que preferiam agora competir apenas em jogos particulares (!), enquanto que emblemas como o Lisbon Cricket e o Gilman desapareciam, tendo os seus valorosos atletas rumado para outras paragens. O CIF, por exemplo, reforçou-se com alguns atletas do Lisbon Cricket, ao passo que o Império recebeu quase toda a equipa (!) do Gilman. A AFL organizou o primeiro Campeonato (oficial) de Lisboa em três categorias: primeiras, segundas, e terceiras, sendo que as duas últimas se equiparavam a uma espécie de campeonatos de reservas.

O primeiro "regional" lisboeta teve início a 13 de novembro de 1910, tendo logo na ronda inaugural surgido uma enorme surpresa. O campeão da época anterior, o Benfica, foi derrotado em casa pelo União Belenense, por 2-3 (!), o único desaire dos encarnados liderados pelo seu dirigente/treinador/jogador (!!!) Cosme Damião, mas que haveria de ser decisivo nas contas finais. Outro grande candidato ao título que iria tropeçar lá mais para a frente do campeonato era o Sporting, o clube aristocrata da sociedade lisboeta, o clube abastado financeiramente, que tinha nas suas fileiras alguns dos melhores jogadores lusos de então.
Os irmãos Stromp (Francisco e António) eram duas das principais estrelas leoninas, aos quais se juntavam os irmãos Catatau (António Rosa Rodrigues, e Cândido Rosa Rodrigues), responsáveis pela primeira grande traição do futebol lusitano no início do século passado.

Figuras de destaque dos primórdios do Benfica, António Rosa Rodrigues e Cândido Rosa Rodrigues desertaram do clube no final da temporada de 1906/07, rumo ao grande rival Sporting, que os aliciou com... banhos quentes e toalhas lavadas no final de cada jogo/treino (!), mordomias que o então pobre Benfica não possuía. Grande figura daquele Sporting era também Francisco dos Santos, o primeiro emigrante de sucesso do futebol português.
Francisco dos Santos revelou-se como um cerebral médio-ofensivo no Casa Pia, em finais do século XIX, tendo posteriormente representado o Sport Lisboa - antecessor do Sport Lisboa e Benfica - antes de rumar ao estrangeiro para estudar... Belas Artes. Primeiro em Paris e depois em Roma, sendo que na Cidade Eterna para fazer face às enormes dificuldades financeiras vivenciadas arranjou emprego como... jogador de futebol. E em boa hora o fez, pois tornou-se de imediato numa referência do jovem calcio transalpino ao serviço da Lázio. No emblema da capital italiana destacou-se então, não sendo de admirar que a braçadeira de capitão lhe fosse entregue logo na primeira época! Foi um dos artistas do primeiro dérbi romano, entre Lazio e Roma, tendo o ilustre (jornal) Gazzetta dello Sport sublinhado que nesse jogo histórico estiveram em evidência dois jogadores... «o jovem Saraceni e o veterano Dos Santos, que com os seus 55 quilos foi, impressionante, dos melhores em campo...». De regresso a Portugal (em 1908) assinou pelo Sporting, ali terminando a sua brilhante carreira de futebolista, antes de se dedicar em exclusivo à atividade de escultor que o haveria de eternizar na História de Portugal.

Mas as estrelas só por si não ganham jogos, e o Sporting encontrou muitas dificuldades ao longo da sua caminhada no primeiro "regional" oficial de Lisboa. Dificuldades criadas sobretudo pelos seus dois maiores rivais, o Benfica, com quem perdeu na 6ª jornada por 5-1, e o CIF, que derrotaria os leões nos dois confrontos realizados, o primeiro (na 5ª jornada) por 1-0, e o segundo na 11ª ronda, por 2-0. Os desaires averbados nas 5ª e 6ª jornadas - diante dos seus principais rivais - ditaram praticamente o afastamento dos sportinguistas da luta pelo título, a qual foi quase de forma exclusiva protagonizada pelo CIF e pelo Benfica. Os duelos entre CIF e Benfica - cuja maior estrela era Cosme Damião - neste campeonato terminaram empatados, um a zero golos (na 2ª jornada), e outro a uma bola (na ronda número oito), pese embora a meta tenha sido cortada em primeiro lugar pelos primeiros, com um total de 22 pontos, contra os 20 dos encarnados.

Desta forma o CIF era assim coroado como o primeiro campeão oficial da AFL. Na última jornada do campeonato um facto caricato ocorreu no embate entre Benfica e Sporting, ocorrido no recinto do Lisboa Football Club, o Campo dos Castelos. A tarde futebolística teve início com uma partida das segundas categorias, cujo vencedor foi o Benfica, por 1-0. O público afeto ao Sporting não terá gostado da exibição do árbitro do encontro, queixando-se sobretudo do golo benfiquista, que segundo os leões teria sido apontado em fora de jogo. O ambiente estava incendiado, e mais ficou quando as primeiras categorias subiram ao retângulo de jogo. O Sporting abriu o marcador, mas logo depois o Benfica restabelece a igualdade em mais um lance... irregular, nas vozes leoninas. Estas sublinham uma carga evidente do marcador do golo benfiquista sobre o guarda-redes da casa, Gastão Pinto Basto. O árbitro do encontro, que por sinal era primo do guardião leonino, e que dava pelo nome de Eduardo Luís Pinto Basto, validou o tento, e a multidão em fúria invadiu o terreno de jogo. As cenas que se seguiram foram o que se pode chamar de um intenso combate de boxe (!) entre benfiquistas e sportinguistas. A AFL homologou a igualdade a uma bola, mas a Comissão de Árbitros não concordou, tendo então sido marcado um novo jogo entre ambas as equipas para 18 de julho de 1911, partida essa à qual o Sporting não compareceu, alegando num comunicado que «os benfiquistas não eram dignos de pisar as suas instalações»!

Bom, mas voltando ao campeão, ao CIF, o clube terminou a temporada de 1910/11 com um total de 10 vitórias alcançadas e apenas dois empates consentidos (ante o Benfica, como já vimos), tendo entre o seu grupo de notáveis jogadores destacando-se nomes como Eduardo Luis Pinto Basto, Merik Barley, W. Sissener, Augusto Sabbo, ou Luis Kruss Gomes. CIF que foi digamos que o primeiro grande clube de futebol em Portugal, sobretudo sob o ponto de vista estrutural, servindo de exemplo para muitos outros clubes que iriam nascer nos anos seguintes. Ligado diretamente aos introdutores do futebol em Portugal, os Pinto Basto, o CIF alcançou assim o único título oficial da sua hoje centenária vida, coincidindo com o nascimento de uma AFL que seria a semente para o crescimento do futebol português no plano organizativo. O exemplo organizativo da AFL deu origem a que mais tarde outras associações de futebol nascessem noutras regiões de Portugal que começavam também elas a ver os seus grupos futebolísticos darem os primeiros pontapés na bola de forma mais séria.


A figura: Eduardo Luís Pinto Basto

Oriundo da família responsável pela introdução do futebol em Portugal Eduardo Luís Pinto Basto foi para muitos a grande figura do primeiro campeonato oficial da AFL. Filho do pai do futebol português, Guilherme Pinto Basto, o homem que em 1884 trouxe de Inglaterra a primeira bola, e que em 1888 organizou o primeiro jogo, Eduardo Luís Pinto Basto herdou do seu progenitor a paixão pelo desporto, e pelo futebol muito em particular. Além de jogador, foi árbitro, e dirigente, tendo sido um dos rostos da fundação do CIF. À semelhança do seu pai estudou em Inglaterra, onde teve contato com o belo jogo, e chegado a Portugal colocaria em prática esses conhecimentos, contribuindo e muito para o crescimento do futebol luso. O seu pai, Guilherme Pinto Basto, deu-nos a conhecer o jogo em finais do século XIX, ao passo que Eduardo ajudou a cimentá-lo nos inícios do século XX não só com a organização de jogos e torneios, mas também ao nível da própria estruturação deste fenómeno. Como jogador destingiu-se sobretudo na baliza, tal como o seu pai - mais um ponto em comum entre ambos -, tendo sido um dos primeiros grandes keepers lusos, brilhando com as cores do seu CIF, clube que ajudou a fundar juntamente com nomes sonantes da época como Carlos Villar, ou Joaquim Costa. CIF que foi o primeiro clube português a jogar além-fronteiras, facto ocorrido em 1907, quando os lisboetas foram à capital espanhola bater o Madrid FC - antecessor do Real Madrid - por 2-0. Eduardo Luís Pinto Basto estava na baliza. E na baliza estaria também em 1911 aquando da primeira visita de um clube estrangeiro a Portugal, no caso os franceses do Stade Bordelais, que enfrentaram em Lisboa além do CIF de Pinto Basto, o Benfica e uma seleção da AFL, que na baliza tinha... Eduardo Luíz Pinto Basto. AFL onde esta figura se distinguiu, quer como dirigente, quer como árbitro, tendo sido um dos juízes mais conceituados da época.
Nasceu a 6 de junho de 1886, precisamente dois anos antes do seu pai ter organizado o tal primeiro jogo de futebol em Portugal, nos terrenos da Parada, em Cascais. Faleceu em 1955. 

Números finais do primeiro Campeonato (oficial) de Lisboa

1-CIF: 22 pontos
2-Benfica: 20 pontos
3-Sporting: 14 pontos
4-Campo de Ourique: 10 pontos
5-Império: 8 pontos
6-União Belenense: 6 pontos
7-Lisboa FC: 4 pontos

Resultados mais dilatados

Benfica - Lisboa FC: 15-0
Sporting - Lisboa FC: 14-0
CIF - Lisboa FC: 12-3
Campo de Ourique - CIF: 0-11

Legenda das fotografias:
1-Clube Internacional de Futebol, o popular CIF, o primeiro campeão da Associação de Futebol de Lisboa (AFL)
2-O notável dirigente desportivo Januário Barreto
3-Um dos primeiros escudos da AFL
4-Cosme Damião, a estrela do Benfica
5-Os irmãos Catatau
6-Jogo entre CIF e Sporting
7-Cosme Damião em ação contra o Império
8-Equipa do Benfica, vice campeã regional de 1911
9-Eduardo Luís Pinto Basto
10-Francisco dos Santos, uma das estrelas do primeiro campeonato da AFL