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segunda-feira, 3 de maio de 2021

José Bento Pessoa: a primeira grande estrela do desporto luso além fronteiras

Diz a história que o primeiro grande desportista português a brilhar além fronteiras fê-lo em cima de uma bicicleta. E fê-lo numa altura em que o desporto nacional era ainda uma criança, em que se começava a enraizar na cultura portuguesa.

Estávamos pois nos finais do século XIX quando um jovem oriundo da Figueira da Foz alcançou a glória internacional em cima da sua bicicleta, tornando-se assim num dos primeiros grandes ases do ciclismo planetário. José Bento Pessoa, o seu nome.

Nascido a 7 de março de 1874, na bonita cidade costeira da Figueira da Foz, como já vimos, era filho de um proprietário de uma sapataria e de uma doméstica, tendo passado a sua infância entre a Rua da Oliveira, onde residia, e a sapataria do seu progenitor. E foi precisamente para o estabelecimento de Ricardo Lourenço Pessoa - o pai - que José foi trabalhar assim que concluiu os estudos. Porém, o jovem figueirense estava longe de seguir o sonho do seu pai, que aspirava que José assumisse a batuta do negócio na loja de sapatos. Este estava mais inclinado para o desporto, ou não fosse ele um praticante nato de natação, remo, atletismo e até futebol, modalidade esta onde reza a história que foi um exímio guarda-redes. A certa altura a prática desportiva fez mossa no jovem José, que na sequência de uma queda fraturou um tornozelo. A conselho médico foi-lhe indicado então que praticasse ciclismo para curar as mazelas físicas. Mais do que a cura encontrou a sua grande vocação no desporto.

A 23 de fevereiro de 1894, em Coimbra, José Bento Pessoa realizou a sua primeira prova oficial, alinhando como júnior numa prova de 13 quilómetros onde acabou por ganhar a medalha de ouro. Tinha então 20 anos.

Um ano mais tarde ruma a Lisboa para trabalhar na loja de bicicletas de Manuel Beirão, representante da marca de bicicletas Brennabor. Na capital, José treinava de manhã e no resto do dia trabalhava na loja.

Em 1896 o jovem figueirense sofre um abalo com a morte do seu pai, decidindo deixar a loja de bicicletas em Lisboa para se tornar profissional de ciclismo, assinando contrato com a marca Raleigh, representada pela “Casa Esteves”. Filia-se então na União Velocipédica Espanhola, pois a União Velocipédica Portuguesa ainda não tinha sido criada, pelo que o ciclismo luso era então tutelado pelo organismo espanhol.

A 12 de abril de 1897, José Bento Pessoa alcança o primeiro grande título da sua carreira. Participando no primeiro campeonato de Espanha em ciclismo, em estrada, uma prova que tinha 100 quilómetros, com partida em Madrid, passagem por Ávila e regresso a Madrid, José entra para a história por ter cortado a meta em 1.º lugar e consequente por se ter tornado como o primeiro campeão de Espanha da modalidade. Nesta prova que ficou conhecida como os "100 quilómetros de Ávila", alinharam vinte ciclistas e o prémio atribuído era de 750 pesetas. Nesse mesmo ano de 1897 volta a fazer história. Em maio, na inauguração do Velódromo de Chamartin, Madrid, ganhou a prova internacional e bateu o recorde mundial dos 500 metros, que pertencia a Edmond Jacquelin, baixando o tempo de 34,6 para 33,2 segundos.

Em Espanha tornou-se um ídolo, pois em 68 corridas, venceu-as todas. Na última década do século XIX até sensivelmente 1905 correu em Espanha, França (Paris) Bélgica (Gand), Suíça (Genebra), Itália (Turim), Alemanha (Berlim) e Brasil (Pará), sendo que no país vizinho disputou provas em Vigo, Corunha, Sevilha, Bilbau, Salamanca, Ávila e Madrid. Perante tudo isto bem se pode dizer que o primeiro grande nome do ciclismo espanhol era... português.

Em Berlim, a 8 de maio de 1898, atingiu novamente o Olimpo dos Deuses ao vencer o Grande Prémio Zimmerman, então a prova velocipédica mais importante da Europa, em honra de Arthur Augustus Zimmerman, vencedor do Campeão do Mundo Willy Arend.

Apesar de a estrela de José Bento Pessoa brilhar longe, a Figueira da Foz nunca o esqueceu, sendo que as suas vitórias eram festejadas com pompa e circunstância ali no burgo, com manifestações ruidosas e festivas. E sempre que vinha à sua terra natal era recebido como um verdadeiro herói, e reza a história que muitas vezes ia da estação dos caminhos-de-ferro até casa em ombros.

José Bento Pessoa retirou-se de competição em 1905, depois de uma digressão pelo Brasil. Regressado a casa comprou um forno de cal e montou o Cal-Hidráulico do Mondego, Lda., tendo este sido o seu negócio até ao fim da vida, vindo a falecer em 7 de julho 1954, com 80 anos de idade.

Em sua memória a Câmara Municipal da Figueira da Foz batizou o estádio municipal local com o seu nome.

domingo, 15 de abril de 2018

Memórias do I Porto-Lisboa no rescaldo de uma visita ao Museu do Ciclismo (nas Caldas da Rainha)


Charles George,vencedor do I Porto-Lisboa
A recente passagem pela formosa cidade das Caldas da Rainha abre caminho para a memória que hoje vamos evocar nas nossas vitrinas virtuais. A história leva-nos até 1911, ano em que se disputou a primeira grande prova do ciclismo português: a clássica Porto-Lisboa. 

Esta memória foi tema de conversa na nossa passagem pelo Museu do Ciclismo, situado precisamente nas Caldas da Rainha, ao qual efetuamos uma breve mas fascinante visita que nos levou a percorrer inúmeros capítulos da História de uma modalidade popular e muito acarinhada em Portugal. Ali, fomos guiados pelo conhecido entusiasta e profundo conhecedor da(s) História(s) do ciclismo nacional e internacional, Mário Lino, figura ilustre da modalidade (enquanto historiador) que nos deixou verdadeiramente encantados com as suas memórias velocipédicas. Uma delas abordou precisamente a primeira edição da corrida Porto-Lisboa, realizada a 5 de novembro de 1911. Esta foi, como já foi referido, a primeira grande competição velocipédica a surgir no nosso país, e que para muitos historiadores terá servido de rampa de lançamento para a atual prova rainha do ciclismo luso, a Volta a Portugal. 


Recuando um pouco mais no tempo, e em jeito de nota de rodapé, para lembrar que os primeiros registos de competição velocipédica em Portugal remontam ao século XIX. Reza a História que em 1885 no âmbito das competições de atletismo organizadas pelo Ginásio Club Português decorrem no Hipódromo de Belém corridas de bicicletas, tendo nelas participado e triunfado nomes como Domingos Basto, Jorge Norton, ou Herbert Dagge, este último tido como o pai do ciclismo em Portugal. É nesse mesmo século XIX que aparece o primeiro grande ciclista português, o figueirense José Bento Pessoa, que até finais deste século vence inúmeras provas – realizadas, sobretudo, em velódromos – que se vão disputando em Lisboa e no Porto, mas também no estrangeiro.

Nos inícios do século XX o ciclismo ganha força em Portugal, com a ocorrência das provas de estrada, como é o exemplo do Caldas-Lisboa (1901), do Grande Prémio de Outono (1906), ou do Campeonato da Rampa (1908), entre outras. Esta popularidade terá levado a que em 1911 a União Velocipédica Portuguesa (UVP) idealizasse uma prova de maior calibre, à semelhança do que acontecia em França e Itália, por exemplo, onde clássicas de uma só etapa como a Bordéus-Paris ou a Milão-San Remo começavam a centrar em si os olhares de um número crescente de entusiastas. Ainda segundo a História, a primeira vez que a UVP tentou colocar em prática o Porto-Lisboa, a intenção saiu gorada por falta de participantes! Facto ocorrido em 1910, quando dos inicialmente 20 inscritos naquela que seria a primeira edição da clássica apenas três marcaram presença na linha de partida! Face a isto, a realização da prova foi cancelada.  


Tal não iria acontecer no ano seguinte, quando a UVP lançou de novo a ideia de realizar a prova. Assim, no dia 5 de novembro, 15 ciclistas compareceram na Praça da Batalha, no Porto, para dar vida aquela que hoje encarada como a primeira grande competição de ciclismo a ter lugar em Portugal e que durante a sua existência foi considerada a grande clássica velocipédica cá do burgo. Nesse dia, ou melhor, nessa noite, já que os ponteiros do relógio marcavam a uma e meia da manhã, partiram da Praça da Batalha os seguintes ciclistas: Alberto Albuquerque, Luís Baptista, Joaquim Marques de Sá, Artur de Campos, Charles George, Joaquim Dias Maia, Carlos Fernandes, Luís Policarpo da Silva, Joaquim de Oliveira, João de Lacerda, José da Costa Nascimento, Joaquim Delgado, Faustino Rosa da Silva, Silvério Rocha e Laranjeira Guerra. Homens cujos nomes entram pois na História. Segundo registos da atual Federação Portuguesa de Ciclismo, a prova teve inúmeras peripécias ao longo dos seus 340km – a distância entre as duas maiores cidades do país –, como, por exemplo, o facto de um grupo ter seguido por Espinho e outro pelos Carvalhos. Outro episódio caricato alude ao acordo para divisão do prémio final entre Laranjeira Guerra, João Lacerda e Faustino Rosa, os quais estavam certos da desclassificação dos seus colegas que haviam seguido pelo lado errado. Porém, a caravana lá chegou a Lisboa, 17 horas/48minutos/34 segundos após a partida, tendo o francês Charles George (do Lusitano) cortado a meta na primeira posição. No entanto, este seria um falso arranque para a clássica, tendo a UVP anulado a prova pelas irregularidades atrás descritas. 


Como já foi dito, o Porto-Lisboa foi até ao aparecimento da Volta a Portugal a prova mais popular do ciclismo nacional, juntando nas estradas por onde serpenteava, e desde a sua primeira edição, largos milhares de pessoas para ver e incentivar o pelotão. A clássica realizou-se até 2004, sendo que ao longo da sua história teve algumas interrupções, umas vezes por falta de verbas para a colocar na estrada, outras devido às duas Guerras Mundiais. O já referido aparecimento da Volta a Portugal (em 1927) e o facto de nos anos 70 a clássica ser dividida em duas etapas acabaria por anunciar uma lenta morte anunciada, algo que iria acontecer no início do novo milénio. 


Estes foram alguns dos factos históricos que tivemos oportunidade de conhecer, ou reavivar, na vista ao Museu do Ciclismo, pela mão da verdadeira enciclopédia humana sobre tudo o que rodeia esta modalidade, o senhor Mário Lino. Ele é o grande dinamizador deste espaço sagrado do ciclismo, foi ele que doou o seu imenso e rico espólio para criação deste museu, que além de deliciosas fotografias que nos levam a visitar décadas e décadas de história do ciclismo em Portugal, agrega ainda troféus, camisolas, páginas e recortes de jornais, bicicletas (pois claro) e muitos outros documentos históricos que nos deixaram deslumbrados. «Esta é apenas uma pequena parte do meu espólio. Tenho muito mais!», palavras do próprio Mário Lino, que ofereceu então parte da sua coleção não só à sua cidade das Caldas da Rainha, como também, e sobretudo, ao ciclismo e à sua História. Bem haja. 


Terminamos esta nossa evocação à primeira clássica Porto-Lisboa com uma série de fotografias por nós registadas na inesquecível visita ao Museu do Ciclismo, destacando as primeiras duas imagens da série, onde em primeiro lugar surge a histórica ficha de participação no I Porto-Lisboa assinada pelo vencedor da prova, Charles George, ou como Carlos Jorge, como o próprio se apresentou – e aqui reside um apontamento curioso! – e também a vitrina dedicada única e exclusivamente a esse histórico dia 5 de novembro de 1911. 

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

As voltas da primeira... Volta

Em 2013 assinala-se a 75ª edição da prova rainha do ciclismo português: a Volta a Portugal em Bicicleta. É nos dias de hoje um dos eventos desportivos mais mediáticos da nação lusitana, agregando ao seu redor milhares de populares que todos os anos inundam as estradas nacionais na ânsia de vibrar com as pedaladas dos heróis velocipédicos. Um cenário que se vislumbra desde 1927, o ano em que tudo começou, o ano em que nasceu oficialmente a Volta a Portugal em Bicicleta.

A popularidade grangeada pelo ciclismo em Portugal remonta, no entanto, a algumas décadas antes do ano em que a Volta viu a luz do dia. Já em finais do século XIX a modalidade era bastante apreciada pelos portugueses, talvez devido ao facto de um dos primeiros grandes nomes do ciclismo internacional ter sangue lusitano. José Bento Pessoa, de seu nome, nascido na Figueira da Foz, em 1874, e que em maio de 1897 entrava para os anais da história após ter batido o recorde mundial de pista dos 500m numa prova internacional ocorrida durante a inauguração do velódromo de Chamartin, em Madrid. Este e outros feitos do atleta figueirense ganharam eco no nosso país, e já em pleno século XX surgiam com grande frequência provas de ciclismo em solo lusitano. O primeiro grande evento foi quiçá o Porto-Lisboa, que conheceu a sua primeira edição em 1911, ganha pelo francês Charles George, na época corredor do Louletano.

E precisamente de França chegavam histórias da grande corrida que anualmente concentrava as atenções do povo gaulês, o Tour, certame que reunia os melhores corredores do Mundo, e que na altura muitos dos filósofos desportivos diziam ser já o segundo maior evento desportivo do planeta, logo a seguir aos Jogos Olímpicos!
Perante estes e outros factos foi com naturalidade que surgiu a ideia de criar uma grande prova de ciclismo que tocasse os quatro cantos de Portugal, à semelhança do que se fazia em França.
Quanto ao pai da ideia ainda hoje a dúvida persiste quanto ao seu nome. Para muitos historiadores do ciclismo o jornalista Raúl de Oliveira foi o mentor da Volta. Na época a trabalhar no (jornal) Sport de Lisboa Oliveira deslocou-se em 1917 até França, integrado no Regimento de Transmissões que partiu para a I Guerra Mundial. Enquanto permaneceu em território francês maravilhou-se com o Tour, que acompanhou de perto, e na hora de regressar a Portugal lançou para o ar a ideia de criar uma prova semelhante por estas bandas. Para outros historiadores Raúl Oliveira foi apenas um dos três Oliveiras que esteve na génese da Volta a Portugal. Nesta segunda versão um homem do futebol é tido como o mentor da ideia, Cândido de Oliveira, de seu nome, enquanto Raúl de Oliveira e Mário de Oliveira - estes três homens para além do apelido tinham em comum o facto de serem jornalistas - são apontados como os concretrizadores da ideia de mestre Cândido. Bom, progenitores da ideia à parte o que é certo é que edificar a Volta a Portugal não foi uma tarefa fácil. Raúl de Oliveira, que quando regressou a Portugal foi chefiar a redação de Os Sports, pertença do Diário de Notícias, insistiu que o seu jornal deveria organizar uma competição semelhante ao Tour de França. Vendo a sua sugestão cair por diversas ocasiões em saco roto, decide ele próprio aplicar o prémio da lotaria que havia ganho na organização de uma prova velocipédica, bem mais modesta e pequena que o Tour, é certo, mas que haveria de mudar mentalidades!

Corria então o ano de 1923 quando Raúl de Oliveira criou a 1ª Volta a Lisboa, certame que seria coroado de êxito. Perante isto o administrador do Diário de Notícias, Beirão da Veiga, ficou finalmente convencido quanto à hipótese de ser organizada - pelo seu jornal - uma prova semelhante ao Tour francês, e assim em 1927 ia para a estrada a 1ª Volta a Portugal em Bicicleta.

A Volta a Portugal sai para a estrada

País pobre, Portugal não reunia na época as melhores condições para a realização de uma prova de estrada de longa duração como a que se pretendia erguer. As ligações entre as cidades eram paupérrimas, estradas de terra batida, muitas delas sem condições para circular um carro de bois quanto mais uma bicicleta. Mesmo assim a 26 de abril de 1927 os 38 ciclistas participantes fazem-se à estrada para dar início a uma longa aventura.

Com 18 etapas traçadas a prova teve início e fim em Lisboa, e desde cedo se assistiu a um emocionante duelo entre dois dos melhores corredores da época, António Augusto de Carvalho (que defendia as cores do Carcavelos) e Quirino de Oliveira (do Campo de Ourique). Este último ciclista venceu a etapa inaugural, que ligou Cacilhas a Setúbal, numa distância de 40,4km (a etapa mais pequena da Volta de 1927). A etapa seguinte - Setúbal-Sines (114,6 km) - seria ganha por Augusto de Carvalho, que assim retirava a camisola amarela ao seu rival do Campo de Ourique. Porém, Quirino de Oliveira estava numa forma estupenda, tendo vencido as seis etapas posteriores - Sines-Odemira (49,2km), Odemira-Portimão (86,2km), Portimão-Faro (65,8km), Faro-Beja (154,7km), Beja-Évora (82,2km), e Évora-Portalegre (122,3km) - e reconquistado assim a camisola mais desejada da prova.

E desta forma se manteve até ao momento em que o azar lhe bateu à porta. Antes, na 9ª etapa, que ligou Portalegre a Castelo Branco (numa tirada de 106,6km), o benfiquista Santos Almeida intrometeu-se na luta entre Carvalho e Quirino, ao cortar a meta em primeiro na chegada à capital da Beira Baixa. Na etapa seguinte, que ligou Castelo Branco à Guarda (112,9km), na qual foram experimentados os duros obstáculos da Serra da Estrela, Quirino de Oliveira sofreu um revés ao ficar sem o selim da sua bicicleta, galgando quilómetros e quilómetros (em subidas e descidas!) somente apoiado nos pedais! Tarefa heróica que seria premiada com mais uma vitória de etapa e mais do que isso Quirino continuava de amarelo. Poucos duvidariam que a mágica camisola pudesse fugir ao corredor do Campo de Ourique. Mas o azar teimava em acompanha-lo no percurso que muitos apontavam como vitorioso.

Na 11ª etapa, que ligou Guarda a Torre de Moncorvo (106,2km) o líder da prova tem uma queda aparatosa, facto que não só o impede de vencer mais uma etapa (da qual Santos Almeida saíria de novo vencedor) mas sobretudo porque o faz perder a camisola amarela para o seu principal rival, Augusto de Carvalho.
Antes do primeiro dia de descanso o ciclista do Carcavelos cimentou a sua liderança ao vencer as 12ª e 13ª etapas, respetivamente Torre de Moncorvo-Bragança (128,3km), e Bragança-Vidago (118,2km).

Após a 14ª etapa, que ligou Vidago a Braga (115,1km), ganha pelo camisola amarela, Quirino de Oliveira como que disse definitivamente adeus à vitória na Volta. Na 15ª etapa, entre Braga e Porto, numa distância de 113,7km, o ciclista do Campo de Ourique perdeu imenso tempo, e o braço de ferro pela vitória na prova passou protagonizado por Augusto de Carvalho e... Nunes Abreu. O ciclista do Leixões não só venceu a etapa cujo final ocorreu na cidade do Porto como também passou a envergar a... camisola amarela. Isto porque o azar voltava a bater à porta dos líderes, e depois de Qurino de Oliveira o ter sentido na pele na 11ª etapa foi agora a vez de Augusto de Carvalho provar do seu veneno.

Na ligação entre Braga e o Porto o corredor do Carcavelos teve uma avaria na sua bicicleta, perdendo desde logo imenso tempo, e mais teria perdido não fosse um popular que se encontrava na berma da estrada ver os corredores passarem ceder-lhe a sua pasteleira que o possibilitaria de concluir a etapa!
O reinado de Nunes Abreu seria muito curto, já que na tirada seguinte (Porto-Coimbra, numa distância de 117,2km) António Augusto de Carvalho recuperou o 1º lugar da classificação geral, não mais o largando até à etapa final, que ligou Caldas da Rainha a Lisboa (100km).

À chegada a Lisboa os corredores foram recebidos como heróis por um mar de gente que inundava a Avenida da Liberdade, onde a meta havia sido instalada. Levado em ombros pela multidão António Augusto de Carvalho (natural de Sintra) seria então coroado como o primeiro rei da Volta a Portugal em Bicicleta.

Legenda das fotografias:
1-António Augusto de Carvalho, o vencedor da 1ª Volta a Portugal em Bicicleta
2-O corredor nascido em Sintra (aqui levado em ombros pelos populares) terminou a prova com o tempo total de 79h08m00s, mais 9 minutos e 31 segundos que o 2º classificado, Nunes de Abreu
3-Os três primeiros classificados (da esquerda para a direita): Quirino de Oliveira, Augusto de Carvalho, e Nunes de Abreu. 38 ciclistas participaram nesta edição inaugural da Volta, mas apenas 26 terminaram a prova!