terça-feira, 8 de abril de 2025
Há 20 anos Tiago Monteiro tornava-se no primeiro português a subir ao pódio da Fórmula 1
sexta-feira, 23 de julho de 2021
Primeira medalha olímpica do judo nacional festejada com uns passinhos de dança
Vídeo: Reportagem da RTP que mostra o momento de glória olímpica de Nuno Delgado
segunda-feira, 19 de julho de 2021
Debaixo de chuva e trovões a vela portuguesa chega de novo a uma medalha olímpica
Mas tudo mudou no dia 30 de
julho de 1996, um dia tempestuoso, com relâmpagos e trovões a pairarem sobre o
Centro Olímpico de Savanah, a cerca de 370 km de Atlanta, local onde decorreram
as provas de vela. Concluída a 11.ª regata na Classe 470 Hugo Rocha e Nuno
Barreto regressam à marina de Savanah com a medalha de bronze ao peito. Na
partida para esta derradeira regata, o treinador da dupla portuguesa, Luís
Rocha, que como curiosidade era irmão de Hugo Rocha, antevia que a dupla de
velejadores sabia aguentar a pressão e quem sabe dessa forma poderia conquistar uma medalha.
Portugal que era naquela altura 3.º colocado na classificação geral, a um ponto
da Grã-Bretanha, depois de ter andado em 2.º lugar no final da 4.ª regata. Hugo Rocha e Nuno Barreto (nascido a 29 de
abril de 1972) provaram em Atlanta que eram os legítimos descendentes de uma longa dinastia
de sucesso na vela portuguesa. Na classificação final a Ucrânia ficou com o ouro, a Grã-Bretanha com a prata e Portugal com o bronze. Chegados ao nosso país, foram recebidos como
heróis, sobretudo em Faro, cidade familiar para ambos, já que tinha sido ali,
ao serviço do Ginásio de Faro, que tinham dado nas vistas na modalidade. Na
capital do Algarve desfilaram de medalha de bronze ao peito pelas ruas debaixo
de merecidos aplausos. Esta mesma dupla tentou um novo sucesso olímpico quatro
anos depois, em Sidney, mas não iria além do 16.º lugar na Classe Tornado.
Nesta mesma classe Nuno Barreto repetiu o 16.º lugar nas Olimpíadas de Atenas,
em 2004, desta feita na companhia de Diogo Cayolla.
Vídeo: Reportagem da RTP em Atlanta após a conquista da medalha de bronze em vela
quarta-feira, 7 de abril de 2021
No Vale da Morte (na Califórnia) o ultramaratonista Carlos Sá escreveu uma página dourada do desporto português
Sem mais demoras viajemos até Dead Valey (o Vale da Morte), nos Estados Unidos da América, onde desde 1987 se realiza a duríssima ultramaratona Badwater. E eis que na edição de 2013 a vitória sorriu a um português. Carlos Sá de seu nome, um nome que graças a este feito passou a ter o estatuto de lenda. Nascido na véspera do Natal de 1973 na freguesia de Vilar do Monte, no Concelho de Barcelos, Carlos Alberto Gomes de Sá percebeu aos 12 anos de idade que a corrida era uma paixão e desde pronto calcou as sapatilhas para começar a construir uma carreira notável. Munido de um espírito de sacrifício e aventureiro Carlos tornou-se num atleta de eleição. A aposta nos ultra trails dá-se por volta de 2008, altura em que se inicia nas ultramaratonas com a presença na Ultra Trail da Geira, prova com 45 km em que se classificou em 2.º lugar e onde confirmou as suas qualidades como um atleta de grande resistência. A partir daqui os ultra trails foram uma constante na sua carreira, somando vitórias e posições de destaque em diversas provas nacionais e internacionais.
Até que chegamos a 2013, ano em que o atleta luso decide participar naquela que é tida como a mais dura das ultramaratonas internacionais, a Badwater Ultramarathon, na Califórnia. Então com 39 anos, o atleta de Barcelos alcançou ali o maior feito de um atleta português em corridas extremas de longa distância, terminando em 1.º lugar uma prova com 217 quilómetros (percorridos numa única etapa) e que liga os pontos mais baixo e mais alto do território continental dos Estados Unidos da América. Até às 90 milhas da prova o atleta luso dividiu a liderança da prova que contou com 97 competidores de 22 nacionalidades diferentes, sendo que nos quilómetros seguintes Carlos Sá conseguiu isolar-se e chegar à subida final com uma vantagem que lhe permitiu fazer uma gestão da corrida, terminando assim a prova no 1.º lugar. A vitória em Badwater, no calor tórrido do deserto da Califórnia, consagrou-o como um dos melhores do Mundo nesta corrida dura e onde os índices de desistências são sempre elevados, ou não estivéssemos perante uma prova realizada sob extremas condições climatéricas – a região do deserto do Vale da Morte detém inclusivamente o recorde como o ponto mais quente da Terra (56,7 graus Celsius, no dia 10 de julho de 1913). 16 de julho de 2013 é assim um dia que fica gravado a letras de ouro na história de Carlos Sá e do desporto nacional.
terça-feira, 13 de outubro de 2020
O momento em que a geração dourada do ténis de mesa nacional tocou o céu!
Por muitos anos que alguém viva este é daqueles feitos desportivos que ficará perpetuado no tempo. É ademais uma façanha alcançada por aquela a que muitos chamam de geração de ouro de uma modalidade muito querida entre os portugueses. Um feito inédito que só por isto torna esta conquista num sonho que há 20 ou 30 anos atrás seria de impossível concretização ou não estivesse então Portugal a anos luz das maiores potências deste desporto. Sem mais demoras recuamos até 28 de setembro de 2014, dia em que pela primeira vez Portugal sagrou-se campeão da Europa de ténis de mesa por equipas, um feito alçando em Lisboa após derrotar uma das melhores seleções da modalidade, a Alemanha, hexacampeã europeia. E a histórica foi escrita por nomes que hoje são verdadeiras lendas do ténis de mesa nacional, jovens jogadores cujo talento foi moldado e colocado ao serviço do combinado nacional no Europeu que nesse ano decorreu no MeoArena, em Lisboa, e que juntou no nosso país a nata mesatenista continental. Marcos Freitas, Tiago Apolónia, João Monteiro, são nomes que ficarão pois para a eternidade na história do desporto nacional, pois graças à sua estupenda exibição a seleção nacional venceu por 3-1 a poderosa equipa alemã perante milhares de entusiastas adeptos que vibraram no MeoArena, incluindo o então primeiro-ministro português, Pedro Passos Coelho. Foram precisas mais de duas horas e meia de jogo (da final) para que a seleção nacional batesse a Alemanha, tendo a epopeia começado com Marcos Freitas, que venceu Steffen Mengel por 3-0. Para a mesa saltou em seguida João Monteiro, que seria derrotado por Timo Boll, por 3-2. A vantagem lusa na grande final do Europeu seria recuperada por Tiago Apolónia que bateu o então número um do ranking Dimitrij Ovtcharov, por 3-1. O inédito título português seria carimbado por Marcos Freitas, que vergou Timo Boll a uma derrota por 3-1. A MeoArena explodiu de alegria, Portugal era campeão Europeu. Até este dia, e por equipas, Portugal tinha como melhor resultado em Campeonatos da Europa uma medalha de bronze conquistada em Gdansk, em 2011, um 5.º lugar nos Jogos Olímpicos de Londres (2012) e a 5.ª posição no Mundial de Tóquio, em 2014.
segunda-feira, 12 de outubro de 2020
2020: o ano em que Félix da Costa escreveu uma das páginas mais brilhantes da História do automobilismo português
Num breve olhar pelo retrovisor da carreira de Félix da Costa, podemos constatar que tal como tantos outros pilotos iniciou-se nos kartings, com 9 anos de idade, onde era apelidado de "formiga" devido à sua baixa estatura física.
O seu talento traduziu-se de pronto em títulos, como comprovam a conquista do Campeonato Nacional e do Open Portugal, em 2002. Aos poucos, Portugal começa a tornar-se demasiado pequeno para o jovem prodígio das quatro rodas, e aos 15 anos sagrou-se vice-campeão da World Series Karting, para além de ter sido terceiro classificado no Open Master de Itália, uma das mais reconhecidas provas europeias da modalidade. Em 2007 assina contrato com o maior construtor de karts mundial, a Tony Kart.
Passou de seguida para a World Series by Renault 2.0, competindo neste troféu em 2008 e 2009, sendo que neste último ano alcançou o seu primeiro título de monolugares, no campeonato Norte Europeu.
2010 é um ano marcante na carreira do jovem piloto, já que concretizou o sonho da esmagadora maioria, se não de todos, os pilotos de monolugares, isto é, sentar-se ao volante de um carro de F1. Félix da Costa foi convidado para testar um Force India de F1, tornando-se, aos 19 anos, o português mais novo de sempre a conduzir um monolugar destes. Apesar de não ficar na F1 Félix da Costa não parou de acelerar rumo ao sucesso nas pistas, e em 2014/15 entra num novo campeonato de automobilismo, a Fórmula E, sendo que no ano de estreia venceu a sua terceira corrida, realizada em Buenos Aires, na Argentina. Cinco anos depois alcançou o que já se sabe, o Mundo! Por este feito, o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, condecorou-o com a Ordem de Mérito.
quarta-feira, 29 de julho de 2020
Flashes Biográficos (15): Jorge Fonseca
quarta-feira, 7 de janeiro de 2015
ENTREVISTA - José Garrido relembra o "dream team" do Sporting que conquistou para Portugal a primeira prova europeia de hóquei patins
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| José Garrido, com as cores do seu Sporting |
Museu Virtual do Desporto Português (MVDP): Como qualquer história também a do Garrido teve um início...
Garrido (G): ... Sim, a minha história começa quando eu tinha 9 anos de idade, altura em que na rua aprendi a equilibrar-me nos patins que o meu pai me tinha oferecido. Lembro-me que os usava presos a umas galochas (!). Como vivia em Benfica (nota: Garrido é natural de Lisboa, onde nasceu a 8 de janeiro de 1957) dirigi-me à secção de hóquei em patins do Clube Futebol Benfica, o popular Fófó, no sentido de ali, no clube do meu bairro, começar a praticar a modalidade um pouco mais a sério. Para minha grande desilusão fui recusado! Deram-me a justificação de pretenderem integrar miúdos com mais experiência...
MVDP: ... Mas não se deu por vencido logo à primeira...
G: ...Não. Aos 10 anos, acompanhado pelo meu pai, fui treinar ao Sporting, que era, e é, o meu clube. Fiquei, e comecei a treinar naquele mesmo dia. Recordo que o treinador era o Luís Barata, e após dois meses de treinos tornei-me jogador federado. Estive dois anos na equipa de iniciados, e depois de uma época como juvenil passei diretamente para a equipa de juniores. Em todos estes escalões ganhei títulos, quer distritais, quer nacionais. Aliás, foi enquanto atleta júnior que fui chamado à seleção nacional da categoria, tendo sido campeão europeu em dois anos seguidos, em 1975 e em 1976, sendo que o primeiro título foi alcançado em Darmstadt, na Alemanha. João de Brito era o selecionador nacional dessa altura. Um ano mais tarde voltei a ser campeão europeu, desta feita em Barcelos, com Luís Barata na qualidade de selecionador. Em 1977 subir a sénior, integrando aquela que já era a super equipa de hóquei patins daqueles anos.
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| A célebre equipa do Sporting que em 1977 conquistou de forma brilhante a Europa do hóquei em patins (Garrido é o primeiro jogador da fila de cima a contar da direita para a esquerda) |
G: Sim, em 1977, no meu primeiro ano de sénior, integrei aquela super equipa que a nível nacional ganhou tudo o que havia para ganhar. Posso dizer que encontrei um ambiente fantástico naquele balneário. Tive o prazer de conviver com grandes hoquistas e sobretudo com grandes homens que me ajudaram a formar-me não só como jogador como também como ser humano. Como referiu na pergunta, este primeiro ano de sénior coincidiu com a conquista europeia, a primeira e única da minha carreira - ao nível de clubes - e sem dúvida o título mais saboroso que obtive. Recordo-me, em particular, da inesquecível chegada a Lisboa - no regresso de Espanha, após ter conquistado o título no rinque do Villanueva - onde uma multidão nos esperava.
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| O duelo na piscina do Voltregá |
G: A primeira mão da meia final foi jogada em Espanha, ao ar livre, e à chuva! Nós propusemos jogar quando a chuva abrandasse ou então no dia seguinte, o que não foi aceite pela equipa da casa. A bola praticamente não rolava e nós ficavámos em zonas pontuais - do rinque - prevalecendo o passe.
Perdemos por 5-2. Em Lisboa vencemos por 8-3 diante de um pavilhão cheio. Na final jogámos a primeira mão em Lisboa, e recordo-me que não cabia um alfinete na Nave de Alvalade. Curiosamente, quatro horas antes do início do jogo toda a equipa foi lanchar a uma churrascaria que havia na zona do Campo Grande e o pavilhão já estava lotado! Vencemos por 6-0.
Em Espanha, na segunda mão, o Sporting fez-se acompanhar por muitos adeptos e voltámos a vencer, desta vez por 6-3, depois de entrarmos a perder por 0-2.
Nesse jogo, o Livramento, o Chana, e o Ramalhete fizeram um jogo brilhante, ao ponto de os próprios adeptos espanhóis nos aplaudirem de pé no final.
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| Garrido, na atualidade |
G: Não existem palavras para descrever o António Livramento, o melhor jogador do Mundo de todos os tempos. Era acima de tudo um grande ser humano, e mesmo sabendo que era o melhor hoquista do planeta mantinha-se humilde, e sempre pronto para ajudar os colegas. Ainda em relação aquela grande equipa do Sporting não posso deixar de salientar dois outros grandes nomes do clube. O primeiro, o nosso treinador, o Torcato Ferreira, e o segundo um grande senhor, um grande presidente, o senhor João Rocha, que nos levou a alcançar todos esses feitos.
MDVP: Para terminar esta breve visita ao Museu Virtual do Desporto Português, continua ligado à modalidade?
G: Depois de sair do Sporting defendi as cores do Belenenses, Sesimbra, Sanjoanense, e o Campo de Ourique, onde dei por encerrada a minha carreira. Hoje, continuo a jogar ao nível de veteranos, só para matar saudades dos velhos tempos.
terça-feira, 8 de julho de 2014
Nicolau e Trindade, os mestres na arte de pedalar que deram vida à rivalidade entre Benfica e Sporting
| José Maria Nicolau (Benfica) e Alfredo Trindade (Sporting) |
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| O baixinho e franzino Trindade e o gigante e robusto Nicolau |
| Uma das muitas batalhas épicas travadas entre os dois ciclistas com as camisolas dos emblemas da capital |
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| Rivais, mas amigos, tanto na estrada como na vida |
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| Nicolau e Trindade posam para a fotografia junto de uma das grandes divas do cinema lusitano: Beatriz Costa |
Na Volta do ano seguinte os papéis inverteram-se, ou seja, o azar bateu à porta de Trindade, forçado a abandonar a corrida na terceira etapa (Faro-Évora) após uma aparatosa queda que o iria levar ao hospital. Sem adversários capazes de travar a sua genialidade, Nicolau ficou à vontade para conquistar a sua segunda Volta a Portugal, terminando a última etapa com uma vantagem de 18 minutos na classificação geral sobre o sportinguista Ezequiel Lino.
Este seria o derradeiro capítulo da mítica dupla no seio da Volta a Portugal, embora na edição de 1935 tivessem ambos integrado o pelotão na partida da Cova da Piedade, acabando os dois por desistir no decorrer da prova. Contudo, a empolgante fábula de Trindade e Nicolau não se resumiu à prova rainha do ciclismo luso, muito pelo contrário. Clássicas como Porto-Lisboa, Porto-Vigo, ou Lisboa-Coimbra, testemunharam emocionantes capítulos da génese do fervoroso dérbi Benfica-Sporting.
Abandonaram ambos as lides do ciclismo - enquanto praticantes - no final da década de 30, tendo ambos enverdado posteriormente pela carreira de treinadores. Facto curioso é que o leão Trindade era o treinador do Benfica quando o maior mito da história do clube - no que concerne a ciclismo - faleceu na sequência de um acidente de viação, em agosto de 1969. Oito anos mais tarde foi a vez de Trindade pedalar rumo à eternidade, onde por certo continua a travar apaixonantes duelos com o seu amigo Nicolau.
quinta-feira, 28 de março de 2013
O "doutor" das damas lusitanas
segunda-feira, 28 de janeiro de 2013
O pai do surf português
Mas nem só para a prática de vela o extenso mar lusitano tem sido aproveitado. Outra modalidade bem popular em terras lusas é o surf, um desporto - radical - de enorme espetacularidade onde Portugal tem colecionado alguns brilharetes, não tantos como na vela, é certo, mas que enche naturalmente de orgulho esta nação à beira mal plantada. E a história do surf português cruza-se inevitavelmente com a de Pedro Martins de Lima, um homem que muitos consideram o pai do surf português.
Oriundo de uma família de cavaleiros Pedro Martins de Lima veio ao Mundo a 14 de setembro de 1930, não sendo de estranhar que os seus primeiros passos no desporto tivessem sido dados no hipismo, modalidade que começou a praticar com apenas 6 anos de idade. Não muito tempo mais tarde deixou-se encantar pelos fascínios do mar, interessando-se pela vela, e pela pesca submarina, última modalidade esta que entretanto começa a praticar. No limiar da primeira metade do século XX descobre então uma das paixões da sua vida, o surf. Estavamos em 1946, uma época em que a modalidade de origens havaianas era totalmente, sim, é verdade (!), desconhecida num Portugal que durante séculos e séculos viu nascer centenas de aventureiros do mar. Face à inexistência de material essencial à prática da modalidade em Portugal, Martins de Lima iniciou o seu legado de rei dos mares lusitanos com a prática de bodyboard, usando para o efeito uma prancha rudimentar e umas barbatanas que um amigo lhe trouxera do estrangeiro.
Até que em 1959 consegue finalmente adquirir uma prancha de surf, para posteriormente se lançar ao mar. Sem companhia nesta aventura ele cimentou no nosso país uma modalidade que hoje em dia agrega em si milhares de praticantes. Mas nem sempre foi assim. No início Pedro Martins de Lima recorda - em inúmeras entrevistas dadas nos tempos mais recentes - que «naquele tempo era preciso ter coragem para surfar ondas grandes, mas também para enfrentar as consequências. Cheguei a ser preso por entrar no mar revolto. Os cabos-de-mar prendiam-me, mas os banheiros intercediam a meu favor porque já tinha salvo muita gente no mar. Era um país de marinheiros que não sabiam nadar»!!!
A bravura e insistência do surfista furou inúmeras ondas de resistência, e se o surf é hoje em dia uma das modalidades mais praticadas em Portugal a ele o deve, ao pai do surf nacional.
segunda-feira, 10 de dezembro de 2012
"Cheira bem... cheira a Lisboa!»
Os primeiros rugidos do leão Carlos
Na época seguinte não só confirmou a sua mestria como venceu os seus primeiros títulos oficiais de leão ao peito. Foi uma das peças fundamentais na conquista da dobradinha de 77/78, isto é, vitória no campeonato nacional e na Taça de Portugal, e ainda mais fundamental viria a ser nos anos seguintes, tornando-se desde logo na grande estrela do basquetebol do Sporting. Voltaria a vencer o título máximo do basket lusitano (o campeonato nacional) ao serviço do clube de Alvalade em mais duas ocasiões, 80/81, e 81/82, assim como uma segunda Taça de Portugal (em 79/80). Este seria sem dúvida o período áureo do basquetebol do Sporting, e muito devido ao contributo de Carlos Lisboa, a quem a Direção dos leões atribuíra em 1981 o Prémio Stromp, o mais alto galardão para atletas de alta competição dentro do clube.
Após este período dourado o base (a posição onde atuava preferencialmente) viu-se obrigado a mudar de ares, face à decisão do Sporting terminar com a sua secção de basquetebol, que tanta glória havia trazido ao clube durante a década de 80!
O já célebre atleta continuou então na Grande Área Metropolitana de Lisboa, optando pelo Queluz para dar continuidade à sua já brilhante carreira, tendo na altura recusado ofertas de clubes de outra dimensão, caso do FC Porto. E no clube do Concelho de Sintra a estreia não poderia ter sido melhor. Por si comandado o pequeno emblema sintrense arrecadou em 82/83 o primeiro título da sua história, a Taça de Portugal, após uma vitória épica - e renhida - na final ante o colosso Benfica por 86-85. Mas o melhor ainda estava para vir. Melhor do que nunca Carlos Lisboa conduziria na temporada seguinte o Queluz a nova coroa de glória, desta feita o título de campeão nacional. Notável.
Rei no Benfica com o sonho da NBA ali tão perto
Ter Lisboa era mais do que ter aquele que na altura era já indiscutivelmente o melhor basquetebolista nacional, era ter a oportunidade de conquistar títulos. E foi em busca de títulos que no verão de 1984 o Benfica fez de tudo para que Carlos Lisboa voltasse a vestir de encarnado. Uma batalha que seria vencida, e traduzida em êxitos imediatos na primeira temporada do basquetebolista ao serviço da equipa principal da Luz, quando venceu o ceptro de campeão nacional 84/85. A estrela de Lisboa brilhava a grande altura, e não terá sido de estranhar que em meados de 1985 tivesse estado muito perto de concretizar o sonho de qualquer basquetebolista à face da terra: jogar na NBA norte-americana, a maior liga do Mundo!
Ao longo de centenas de entrevistas dadas Lisboa recordou na primeira pessoa o momento em que esse sonho nasceu... e morreu logo de seguida: «Um dia recebi uma carta de um treinador norte-americano a manifestar interesse no meu concurso para um projeto de uma equipa que iria entrar na NBA. Na altura, falava-se da introdução de novas ‘franchises’ na Liga. Contudo, por razões que desconheço, o projeto não foi para a frente e o tal alargamento só veio a realizar-se anos mais tarde, com a entrada das equipas de Toronto e Vancouver». Nâo foi para a NBA, é certo, mas continuou por mais uma série de anos a fazer magia nos pavilhões portugueses e internacionais com as cores do Benfica. Dentro de portas ajudou os lisboetas a vencerem um total de 10 campeonatos nacionais (!), sendo sete deles de forma consecutiva - entre 1988 e 1995 -, bem como cinco Taças de Portugal, seis Taças da Liga, e cinco Supertaças! Palmarés impressionante.
Durante a década de 90 Lisboa fez do Benfica a melhor equipa de todos os tempos do basquetebol português, um autêntico dream team (equipa de sonho), onde era secundado por estrelas como Pedro Miguel, Henrique Vieira, Carlos Seixas, Steve Rocha, Mike Plowden, ou Jean Jacques. Ver aquele Benfica a jogar era ver não só o melhor basket que se jogava em Portugal como um dos melhores de toda a Europa, e a prova disso é que em diversas épocas o Benfica ombreou de igual para igual, sim, de igual para igual, com algumas das melhores equipas europeias de então, casos do Real Madrid, Partizan, Panathinaikos, Maccabi Tel-Aviv, Juventud Badalona, entre muitas outras que passaram pela Luz em épicos e memoráveis confrontos a contrar para a desaparecida Taça dos Campeões Europeus (mais tarde rebatizada como Euroliga). Nesses jogos europeus Carlos Lisboa como se transfigurava, levava o seu talento aos extremos, e consequentemente o público afeto ao seu clube ao delírio, em especial quando "aplicava" os seus quase infalíveis "tiros" de três pontos. Ao serviço da seleção nacional esteve em 103 encontros (43 dos quais pela equipa principal).
Colocou com ponto final na sua lendária carreira em 1996, mas sem dizer adeus à modalidade que o havia tornado célebre e que ele também havia tornado popular em terras lusitanas. Abraçou a carreira de treinador, primeiro no Estoril Basket, onde esteve durante uma temporada, até que em 96/97 volta ao seu Benfica para tentar, agora como treinador, repetir os êxitos alcançados não muitos anos antes. Não foi tão feliz, é certo, nos três anos em que ali ficou, acabando posteriormente por ingressar no Aveiro Basket em 2001, emblema nortenho que representou até 2004. E foi então que mais uma vez não resistiu aos apelos do coração, voltando de novo ao Benfica, desta feita para desempenhar as funções de diretor desportivo das modalidades ditas "amadoras".
Em 2011/12 foi desafiado a voltar ao terreno de jogo, isto é, treinar a principal equipa benfiquista no assalto a um título nacional que fugia já há longos anos para o rival FC Porto. E no regresso ao banco de treinador Lisboa não poderia ter sido mais feliz, já que viria a conduzir os lisboetas ao título de campeão nacional, conquistado no derradeiro jogo da final em pleno reduto do... FC Porto! Conquista memorável e saborosa, sem dúvida, para um homem que depois do futebolista Eusébio da Silva Ferreira é considerado como a grande figura do Sport Lisboa e Benfica. De tal modo que após o seu abandono enquanto atleta o Benfica decidiu retirar a mágica camisola número 7 da sua equipa de basquetebol, pendurando-a no teto do pavilhão, em sinal de homenagem perpétua ao "senhor basquetebol português".
Vídeo: Alguns lances de Carlos Lisboa
Legenda das fotografias:
1-Carlos Lisboa
2-Defendendo o Sporting
3-Atuando pelo Benfica
segunda-feira, 12 de novembro de 2012
Francisco Lázaro: o louco herói lusitano...
Nasceu no bairro de Benfica, em Lisboa, a 21 de janeiro do longínquo ano de 1888, e seria nos princípios do século XX que haveria de ver o seu nome ascender ao patamar das lendas na sequência do seu natural e ímpar talento - até então nunca visto - para as corridas de fundo. Lázaro saltou para a ribalta em 1908, um ano tumultuoso para Portugal, ano em que o rei D. Carlos - um profundo amante das atividades desportivas - e o príncipe herdeiro Luís Filipe foram assassinados em pleno Terreiro do Paço (Lisboa) pelos "defensores" do republicanismo.
Mas para Francisco Lázaro, um rapaz de origens pobres, carpinteiro de profissão, 1908 foi o ano do arranque de uma curta mas gloriosa carreira enquanto maratonista. O jornal Tiro e Sport organizava a primeira maratona portuguesa, uma corrida de 24 km que seria ganha de forma sensacional - e arrasadora - por Lázaro, que deixou a concorrência a léguas de distância! Motivos de doença afastaram-no da prova de 1909, mas no ano seguinte haveria de voltar e provar que o triunfo de 1908 não fora obra do acaso. Em 1910 a organização alargava a maratona para 42 km, uma meta impossível de alcançar para um ser humano, diziam as vozes da época. Mas não para Francisco Lázaro, que treinava diariamente entre Benfica, onde morava, e a Travessa dos Fiéis de Deus no Bairro Alto, onde exercia a sua atividade profissional. Mais uma vez de forma magistral venceu a maratona, com o tempo de 2h57m35s, deixando o segundo classificado a mais de 15 minutos de distância! Como não há duas sem três em 1911 vence de novo a maratona portuguesa, desta feita com o registo de 3h09m57s, e por esta altura o seu nome era já enaltecido nos quatro cantos de Portugal. Já com as cores do Lisboa Sporting Clube, emblema que o acolheu após a saída do Sport Lisboa e Benfica, voltou a criar espanto e admiração na multidão que o idolatrava por aqueles dias, ao vencer a maratona lusitana de 1912 com um tempo recorde de 2h52m08s (!!!), um registo notável que desde logo fazia dele um forte candidato a vencer a maratona dos Jogos Olímpicos, que nesse ano teriam lugar em Estocolmo.
As esperanças lusas no sucesso de Lázaro eram bem reais, atendendo ao facto de que o fundista lisboeta havia gasto 2h52m08s para percorrer uma distância de 42,2km enquanto que o último campeão olímpico da maratona, o norte-americano John Hayes, havia registado nos Jogos de Londres - quatro anos antes - o tempo de 2h55m18s a percorrer uma distância de 42,196km! Números que deixavam o sonho de Lázaro tão perto da realidade.
Corrida para a morte
Em Estocolmo Portugal fez a sua primeira aparição olímpica. A delegação lusa foi composta por Fernando Correia (esgrima), Joaquim Vital, António Pereira (ambos atletas de luta), António Cortesão, António Stromp, e Francisco Lázaro, estes três últimos ligados ao atletismo. Por tudo o que havia construído até ali as esperanças na conquista de uma medalha estavam, como já vimos, todas depositadas no humilde carpinteiro de Benfica, cuja prova de fogo estava marcada para o dia 14 de julho, o grande dia, o dia da maratona.
O país esperava impaciente a estreia do ilustre atleta, que sabendo das elevadas espectativas dos seus conterrâneos encarou a maratona olímpica como uma questão de... vida ou de morte. Fisicamente Lázaro estava bem, segundo relatos da época almoçou por volta das 10h00, e apresentava um espírito para lá de confiante num bom resultado, o mesmo é dizer, ganhar. Foi levado em seguida, de automóvel, para o estádio olímpico, que era beijado por um calor sufocante, com o termómetro a marcar 32º à sombra!
Os maratonistas faziam o seu aquecimento na pista, todos menos... Francisco Lázaro! Armando Cortesão e Fernando Correia, membros da comitiva portuguesa, estranharam a ausência do fundista, tendo minutos depois encontrado Lázaro ainda no balneário a untar o corpo com... sebo! Questionado porque o fazia o atleta respondeu que era para evitar a perda de líquidos por transpiração, e percebendo que aquela atitude poderia causar uma desgraça (o sebo poderia tornar-se fatal devido ao sobreaquecimento orgânico) os dois elementos da delegação lusa tentaram de pronto dar-lhe um banho rápido para limpar o sebo, mas em vão. Francisco Lázaro rápido correu para a pista ao mesmo tempo em que repetia vezes sem conta a seguinte promessa: «Ou ganho, ou morro».
Bebia sofregamente a água que lhe era dada pelos seus conterrâneos, aos mesmo tempo em que dizia vezes sem conta que se sentia bem. Porém, a tragédia aconteceu já muito perto do fim, ao quilómetro 30. Fernando Correia, o chefe da missão portuguesa relatava dias depois para a revista Sports Ilustrados o episódio: «Os meus companheiros que estavam ao quilómetro 35 esperavam impacientes, sem ver Lázaro. Armando Cortesão, que estava a 2km do estádio para o ajudar no sprint final, veio ter comigo. Eu, no estádio, não compreendia a demora. Meti-me num automóvel com o Cortesão e segui pela estrada. Em vários automóveis vinham vários corredores estropiados mas nenhum deles era o Lázaro. Vi levantar os postos de controlo e retirar a força armada que policiou a pista. E Lázaro? Ninguém sabia dele. Regressei e na estrada encontra-mo-nos com o nosso embaixador (António Feijó). Já conhecedor da tragédia, procurava-nos. No seu automóvel seguimos para o hospital... Ali soubemos que o infeliz campeão tinha sido fulminado com um insolação ao quilómetro 30, que um médico o tinha recolhido e em automóvel o levado ao hospital: que três médicos o medicavam com carinho e já na estada lhe tinham aplicado gelo sobre a cabeça. Interrogámos o chefe da clínica, que gentilmente nos respondeu que tinha uma meningite declarada, possivelmente derrame nas meninges, motivada por um fulmimante coup de soleil».
Francisco Lázaro pode até nem ter sido o primeiro campeão olímpico português, mas não há dúvidas de que foi o primeiro grande herói - desportivo - da brava nação lusitana. Louco, é certo, mas herói.
1-Francisco Lázaro
2-Com o peito coberto de medalhas
3-Correndo a maratona que o levaria à morte (Lázaro é o atleta da direita)
quarta-feira, 8 de agosto de 2012
Canoagem portuguesa de "prata" nos Jogos Olímpicos de Londres/2012
Biografias...
Emanuel Silva, apesar dos seus 26 anos, é o mais experiente dos dois atletas, participando na sua terceira edição dos Jogos Olímpicos, depois de Atenas (2004) e Pequim (2008). Nasceu nos arredores de Braga, mais concretamente em S. Paio de Merelim, a 4 de dezembro de 1985. É detentor de um vasto e rico currículo não só na canoagem nacional como internacional, sendo neste último patamar de sublinhar as medalhas obtidas no Campeonato do Mundo de Juniores de 2003, em Komatsu (Japão), onde alcançou o ouro na prova de K1 500m, e a prata na corrida de K1 1000m. Como sénior atingiu o estrelato ao classificar-se com apenas 19 anos para as Olimpíadas de Atenas, em 2004, onde surpreendeu tudo e todos ao atingir a final de K1 1000m, tendo alcançado um memorável 7º lugar. Em 2005 vence o Campeonato da Europa sub-23 anos em K1 1000m, e neste mesmo ano alcança a sua primeira medalha enquanto atleta sénior, um feito ocorrido na cidade polaca de Poznan, onde arrecadou o bronze na sequência do 3º lugar de K1 1000m. No ano seguinte é de novo campeão da Europade sub-23 anos em K1 1000m, e em 2011 alcança novo feito no escalão de seniores, desta feita em K4 1000m, ao subir ao lugar mais alto do pódio na Taça do Mundo que decorreu em Poznan. Hoje, em Londres, no maior evento desportivo do planeta, atingiu, como já vimos, e nunca é demais relembrar, o ponto mais alto da sua carreira, a MEDALHA DE PRATA.
Fernando Pimenta é o mais novo destas duas novas lendas do desporto português. Nasceu em Ponte de Lima a 13 de agosto de 1989, e até chegar a Londres tinha como principal cartão de visita uma medalha de ouro em K4 1000m masculinos nos campeonatos da Europa realizados em 2011 na cidade sérvia de Belgrado.

























