terça-feira, 9 de julho de 2019

A mulher peluda do Jardim Zoológico figurou no primeiro jogo oficial do futebol em Portugal


A equipa portuguesa com o pai do futebol português,
Guilherme Pinto Basto, a figurar na fila de cima

Em viagens passadas a bordo da Máquina do Tempo fomos ao encontro daquela que é tida como a primeira aparição oficial do futebol em Portugal. Um histórico momento ocorrido em 1888, em Cascais (nos terrenos da Parada), protagonizado por um grupo de veraneantes proveniente da mais fina flor da alta sociedade portuguesa daquela época, onde na qual se destacava Guilherme Pinto Basto, o grande responsável pela introdução do futebol em terras lusitanas. Sobre os acontecimentos desse célebre final de tarde de um – qualquer – domingo de outubro já aqui foram traçadas umas linhas aquando da visita feita ao ilustre pai do futebol português, Guilherme Pinto Basto, eternizado no Museu Virtual do Desporto Português.
Não será demais recordar que segundo o próprio Pinto Basto – anos mais tarde – aquele primeiro contacto com a bola – trazida de Inglaterra pelos seus irmãos Eduardo e Frederico – não passou senão de um “ensaio” onde 28 fidalgos travaram conhecimento com o jogo que apaixonou os irmãos Pinto Basto aquando da passagem destes por terras inglesas. Foi digamos que uma espécie de aula ministrada pelos Pinto Basto ao seu ilustre leque de amigos sobre aquilo que viria tempos mais tarde a tornar-se no ópio do povo.

E não demorou muito para que o recém-nascido futebol – em Portugal – começasse a gatinhar. Poucos meses após o “ensaio” de Cascais realizou-se aquele que é considerado o primeiro grande duelo da modalidade no nosso país, o primeiro jogo a sério, o oposto do cenário descontraído e familiar edificado por aqueles 28 aristocratas nos terrenos da Parada. Recorrendo a alguns desses 28 elitistas Guilherme Pinto Basto montou uma equipa – não se sabe se com muito ou pouco jeito para encenar o “pontapé na bola”, o primeiro nome dado pelos populares lusitanos à modalidade – que ousou enfrentar os mestres do “football” moderno, vulgo os ingleses. Súbitos de “Sua Majestade” que constituíram um “team” formado por empregados do Cabo Submarino e da Casa Graham.

Lisboa e os terrenos do seu Campo Pequeno – na altura ainda sem toiros – presenciaram na tarde de 22 de janeiro de 1889 a batalha entre os fidalgos portugueses e os operários ingleses, tendo ao local ocorrido um vasto número de personagens possuídas por ávida curiosidade em presenciar o ato bárbaro de pontapear uma bola protagonizado por 22 homens.
Eternizados ficaram pois os seus nomes, sendo que pelos portugueses se apresentaram em campo: Guilherme Pinto Basto (sabe-se na qualidade de guarda redes), João Saldanha Pinto Basto, João Bregaro, Eduardo Romero, Eduardo Pinto Basto, Afonso Vilar, D. Simão de Sousa Coutinho (Borba), Duarte Pinto Basto, Frederico Pinto Basto, Fernando Pinto Basto, Augusto Moller e Henrique Vilar. 12 nomes do lado lusitano, presumindo-se que um deles tivesse sido suplente. Pela armada britânica entraram em campo: J. Frazer, J. Mason, C. Anderson. Wray. R. W. Watson, Rawstron, Govan, Briggs, F. Palmer, C. Cox e um outro jogador não identificado.

O combinado inglês
Pormenor curioso foram os equipamentos. Caricatos, na verdade! Trajes para todos os gostos e feitios. Houve quem levasse fatos de banhos às riscas (!) outros com endumentária de presidiários calçando sapatos no lugar de botas, e quase todos eles ostentando um peculiar barrete a fazer lembrar um vendedor de gelados deambulando pelas praias!
Táticas de jogo não parece que tenham existido, até porque o único objetivo era pontapear a bola para a frente na tentativa de a introduzir no “goal” adversário. Na plateia senhoras da alta sociedade com vestes de gala olhavam com chocada admiração as correrias bárbaras dos “gentelmens” lusitanos e dos trabalhadores britânicos. Pormenores mais detalhados da contenda são desconhecidos, apenas se sabe que os corajosos portugueses venceram, embora não se sabe por quantos nem quem foram os autores dos “goals”.
Desse histórico momento daquela tarde ventosa há no entanto uma relíquia ainda hoje guardada. Uma deliciosa e – muito – peculiar crónica publicada no “Jornal do Comércio” de 23 de janeiro de 1889. De autor desconhecido este é tido como o primeiro texto escrito em Portugal retratando os acontecimentos de um “match de football”, o qual foi ilustrado por uma não menos peculiar ilustração que também aqui hoje recordamos. Sem mais demoras aqui fica o “retrato escrito” daquele momento cujo título é senão mais do que uma curiosa combinação de palavras das emoções ali vividas:

«O “Match” no Campo Pequeno – A mulher peluda no Jardim Zoológico

Uma quantidade enorme de pessoas foi hoje ao Campo Pequeno assistir ao desafio, entre ingleses e portugueses, de futebol. Grande número de carruagens com elegantes senhoras, entre as quais se destacavam mademoiselle Ida Blanc, governando galhardamente, ao lado de sua mãe, uma soberba parelha de cavalos pretos. O resultado do jogo foi muito lisongeiro para os nossos compatriotas que conseguiram ganhar. Não faltaram os trambolhões e os rebolões do próprio jogo, mostrando todos os fortes mancebos, que nele tomaram parte, quão exímios são no “manejo” do pontapé, como disse uma elegante que, por casualidade, ficou ao pé de nós. Quase toda a gente, findo o futebol, foi passear ao Jardim Zoológico, onde se exibia a persa Mirra, a mulher peluda».

A pituresca ilustração que acompanhou a peculiar crónica do "macth"
Uma crónica pituresca de um acontecimento que nas décadas seguintes do novo século que se aproximava haveria de se tornar num ritual comum das tardes domingueiras para as gentes da brava nação lusitana.


Flashes Biográficos (5): João Morais


João MORAIS (Futebol): Um herói acidental cuja figura será eterna, é desta forma que pode ser apresentado João Morais, um nome pronunciado com sotaque de glória no universo do Sporting Clube de Portugal, o emblema onde este homem nascido em Cascais a 6 de março de 1935 desenvolveu a maior parte da sua carreira futebolística. 
Atuando sobre a ala esquerda do terreno, umas vezes como lateral outras como extremo, Morais iniciou o seu percurso profissional em Torres Vedras, na temporada de 55/56, ao serviço do Torreense, onde as suas excelentes exibições chamaram à atenção de emblemas de outro porte, entre eles o Sporting, que em 1958 o contrata para as suas fileiras. Nas primeiras três épocas pega de estaca no onze leonino, tendo tido um papel preponderante na conquista do campeonato nacional de 61/62 e na Taça de Portugal da temporada seguinte, último feito este que haveria de dar origem a uma inolvidável aventura dos leões na Europa do futebol. Na qualidade de vencedor da taça o Sporting foi o representante português na edição de 63/64 da Taça dos Vencedores das Taças, competição da UEFA onde os sportinguista tiveram um trajeto glorioso, alcançando a final. 

E se para o Sporting a época - de 63/64 - era de sonho para Morais nem por isso, já que depois de três boas temporadas o defesa/extremo passava por uma fase menos positiva, alternando entre a titularidade e a bancada! E para a final europeia, ocorrida em Bruxelas, Morais nem sequer estava inicialmente convocado pelo treinador Anselmo Fernandez. Porém, uma lesão inesperada de Hilário, o habitual dono da posição de lateral-esquerdo do Sporting, fez soar o sinal de alarme, tendo Morais sido chamado à última da hora pelos altifalantes do Estádio de Alvalade para substituir o seu azarado colega. E assim, sem contar, João Morais seguia na comitiva para a Bélgica. 
Em Bruxelas a final diante do MTK de Budapeste terminou empatada a três bolas, tendo a UEFA marcado uma finalíssima para dois dias depois em Antuérpia. Antes deste novo e decisivo encontro, e quiçá prevendo que estaria prestes a escrever a página mais bela da sua carreira Morais pediu ao treinador que o deixasse apontar um pontapé de canto de forma direta caso surgisse a oportunidade. Pedido aceite e eis que ao minuto 19 da finalíssima o Sporting ganha o seu primeiro pontapé de canto e Morais lá se encaminha para a marcação do mesmo. Pegou na bola, beijou-a, dirigiu-lhe umas palavras de ternura e colocou-a na marca. E eis como que num ápice de magia o pontapé que se seguiu só parou no fundo da baliza húngara! Um canto direto que deu origem ao único golo desse encontro, e consequentemente ofereceu o título europeu ao Sporting. Esse momento inesquecível ficou eternizado como o "cantinho do Morais" e até deu azo a que músicas se escrevessem sobre ele. De não convocado a herói, eis o trajeto de Morais na campanha europeia gloriosa do Sporting. 
Dois anos mais tarde o jogador iria viver um novo capítulo dourado na sua carreira quando foi um dos convocados para representar a seleção portuguesa no Campeonato do Mundo que decorreu em Inglaterra. 
Ao lado de Eusébio e companhia Morais alcançou um brilhante terceiro lugar, ainda hoje a melhor classificação de Portugal num Mundial. Em 1969 despediu-se do Sporting, deixando para trás um registo de 268 jogos disputados com a camisola do leões nas onze temporadas em que a vestiu e 68 golos marcados. Ainda fez mais duas épocas ao serviço do Rio Ave e uma em África do Sul antes de pendurar as chuteiras. Faleceu precisamente em Vila do Conde, em 2010.

A estreia "desnorteada" da Seleção Nacional de futebol


Foi sob o signo do puro amadorismo e – de algum – desconhecimento global do jogo que a Seleção Nacional fez o seu batismo na alta roda do futebol internacional. Uma efeméride ocorrida há mais de 90 anos (!) no longínquo 18 de dezembro de 1921. Nesse histórico dia um grupo de notáveis atletas e timoneiros na implantação do belo jogo no nosso país defendeu pela primeira vez o “emblema” das quinas num “match” internacional, tendo como madrinha desse batismo a vizinha e poderosa Espanha.
Madrid e o estádio do Atlethic de Madrid – assim se chama o atual Atlético madrileno por ter sido fundado por bascos – testemunharam esse momento histórico do futebol luso. E tal como em outros tantos episódios da vida da nossa seleção também aquele Espanha – Portugal seria envolvido em polémica e quezílias desde o primeiro instante. A marcar a gigante onda de descontentamento a “política” da convocatória. Um dos maiores ases do pontapé da bola da altura, o belenense Artur José Pereira, recusou representar a nossa equipa pelo facto do seu irmão Francisco Pereira e o seu companheiro de equipa Alberto Rio não terem sido chamados.

Mas a polémica maior deu-se entre as cidades do Porto e de Lisboa. A começar pela recolha de fundos que a União Portuguesa de Futebol (organismo antecessor da atual Federação Portuguesa de Futebol) quis implementar com a disputa de um “match” entre as seleções das duas maiores cidades do país com o intuito de custear a viagem do combinado nacional a Madrid. A Associação de Futebol do Porto recusou desde logo esse jogo de angariação de fundos pois sabia de antemão que a Seleção Nacional iria ser composta por jogadores de Lisboa! E não andaria muito longe da verdade…
Portuenses que foram mais longe ao ameaçar o organismo máximo do futebol português que não permitiriam que nenhum jogador seu filiado participasse nesta estreia internacional de Portugal. Houve contudo um jogador que não acatou a ordem da entidade portuense, tendo viajado para a capital do país à revelia dos dirigentes nortenhos para se juntar à seleção nacional… que para os portuenses não era mais do que uma seleção de Lisboa! Artur Augusto era o nome do “desertor”, um homem que apesar de defender as cores do FC Porto era natural de Lisboa (!)

Ainda atiçados pela “guerra Norte-Sul” que se instalara em torno da estreia portuguesa além fronteiras os jornais do Porto lançavam provocações e lamentos sobre os seus “amigos” do sul. A revista Sporting, por exemplo, escrevia: «É para lamentar e até encher-se de pesar a alma de todos aqueles que amam o desporto e a sua terra, torrão abençoado e digno de melhor sorte, levado pela ambição, pela vaidade de meia dúzia de criaturas onde morreu o sentimento da mais elementar dignidade, a fazer-se representar em terras estranhas, fora do solo que amamos, por elementos cujos nomes foram escolhidos por simpatia, demonstrando à evidência um desconhecimento profundo de patriotismo, ligado ao maior desprezo pela causa pela qual tanto trabalhos…»

Quezílias à parte Portugal lá partiu para Madrid com um grupo de homens a quem muito o futebol nacional deve o ser. Nomes míticos como Ribeiro dos Reis, Jorge Vieira, ou o grande mestre Cândido de Oliveira fizeram parte desta primeira grande aventura. Nomes que mesmo estando possuídos de uma alegria e vontade desmedidas em levar futebolisticamente o nome de Portugal bem longe – e haveriam de consegui-lo com o passar dos anos – não foram capazes de impedir uma derrota na estreia no palco internacional deste desporto que ia já enlouquecendo multidões um pouco por todo o Mundo.
3-1 a favor da poderosa Espanha num campo pelado, duro e muitíssimo estreito (queixaram-se os portugueses) foi o resultado final deste batismo internacional para as nossas cores. Curiosidade do acaso foi o facto do golo luso ter sido apontado pelo irmão do único jogador que não pertencia a Lisboa (!)… esse mesmo, Artur Augusto, cabendo a Alberto Augusto a honra de apontar o primeiro golo da história da Seleção Nacional, na sequência de uma grande penalidade, batendo o mítico guarda-redes espanhol “Don” Ricardo Zamora.

No Porto a derrota seria recebida com ironia… «a ansiedade dos desportistas portuenses em conhecer o resultado do desafio de Madrid foi satisfeita pelas 6 horas da tarde quando os nossos placards noticiaram que a Espanha tinha vencido o onze de Lisboa por 3-1. O resultado bastante honroso que o telégrafo nos anunciava era de molde a entusiasmar pessimistas e otimistas…»
Nota: Na fotografia o histórico “onze” que defrontou a Espanha nesse eterno dia 18 de Dezembro de 1921

O dia em que o rei foi à bola!


Recordamos hoje na vitrina das “estórias futebolísticas” da bola lusitana um dos primeiros grandes momentos da vida do então jovem futebol em Portugal: o duelo entre as seleções do Porto e de Lisboa. Um facto histórico ocorrido a 2 de Março de 1894, no Porto, mais concretamente no desaparecido Campo Inglês (zona do Campo Alegre), que reuniu uma seleção de Lisboa composta por jogadores do Club Lisbonense, do Carcavelos Club e do Braço de Prata, e um combinado do Porto composto por atletas do Oporto Cricket Club. A partida foi organizada por Guilherme Pinto Basto, um profundo entusiasta do “belo jogo”, e a quem o futebol português muito deve, já que entre outros factos foi ele quem trouxe de Inglaterra (país onde estudava) para Portugal a primeira bola de futebol, objeto que desde logo suscitou um enorme interesse naqueles que com ele primeiramente tiveram contacto.
E pela primeira vez na história o vencedor levava para casa um troféu, neste caso a Taça D. Carlos I, uma oferta do citado monarca. Família real que, aliás, se encontrava no meio da assistência do célebre encontro, sendo que um dos episódios curiosos do mesmo relata que os jogadores tiveram de fazer um esforço suplementar em jogar um prolongamento pelo facto de Suas Majestades o Rei D. Carlos, e a Rainha D. Amélia (os quais se faziam acompanhar pelos príncipes D. Luís Filipe e D. Manuel) terem chegado ao evento a meio da 2ª parte. Como tal e para que os ilustres espectadores pudessem apreciar devidamente o espetáculo que ali se desenrolava foram jogados mais alguns minutos de uma contenda que seria ganha pela equipa de Lisboa, por 1-0. A taça seria entregue a Guilherme Pinto Basto.
Na fotografia que ilustra este texto pode ser vista a seleção de Lisboa que venceu este histórico encontro, a qual posa com a bonita taça que se assumiu como uma das peças de maior valor histórico do futebol lusitano.

Flashes Biográficos (4): Manuel da Fonseca e Castro


Manuel FONSECA E CASTRO (Futebol): Abrimos hoje as portas do Museu Virtual do Desporto Português com um homem do norte de Portugal, o primeiro jogador oriundo desta região a vestir a camisola da seleção nacional lusitana. Manuel da Fonseca e Castro de sua graça. Nasceu em Santo Tirso – presume-se que nos finais do século XIX ou inícios do século XX – e do pouco que se sabe a seu respeito foi um dos notáveis jogadores do Académico do Porto nos anos 20. Notável não se sabe se devido aos seus dotes enquanto talentoso avançado – a posição que ocupava em campo – ou se somente por ter sido o primeiro futebolista nascido no norte a vestir o manto sagrado da seleção nacional. Tal facto – histórico – aconteceu a 18 de junho de 1925, no Campo do Lumiar, em Lisboa, local onde a equipa das quinas defrontou a Itália naquele que era apenas o quinto jogo oficial da história da nação (futebolística) lusitana. E eis que depois de quatro derrotas nos quatro primeiros jogos diante da Espanha o combinado português obteve a primeira vitória (1-0) da sua história. Fonseca e Castro fez parte desse histórico momento, pese embora não tenha recebido as melhores críticas pelo seu desempenho no relvado do Lumiar. «Muitíssimo infeliz. A julgar pelo que fez nos treinos de Lisboa e das Caldas, deve ser atribuída a uma má tarde, a sua má exibição de quinta-feira. Talvez um tanto de nervosismo, proveniente da estreia», ou «... fraco, pouco estofo para jogos de responsabilidade», foram alguns do mimos que o jogador tirsense recebeu da imprensa desportiva após o célebre encontro internacional.

Críticas à parte o que é certo é que o jogador do Académico do Porto havia entrado para a história, não só porque fez parte do onze que ofereceu a primeira vitória da seleção, mas por ter sido então o primeiro nortenho a atuar pelo grupo nacional. Este duplo facto mereceu da parte do Académico uma atenção muito especial, já que a 5 de julho de 1925 o clube portuense organizou um banquete em homenagem a Fonseca e Castro, evento esse que teve lugar no majestoso Palácio de Cristal, na Cidade Invicta.

O avançado academista atuou em mais duas ocasiões pela seleção nacional: ante a Checoslováquia, numa partida ocorrida a 24 de janeiro no Campo do Ameal (Porto), e que terminou com uma igualdade a uma bola, e diante da França, a 18 de abril de 1926, em Toulouse, duelo que foi concluído com um robusto triunfo francês por 4-2. Desconhecendo se Fonseca e Castro seria um virtuoso da bola – pelas críticas conhecidas parece que não... – o que é certo é que ele era um gentelman dos relvados, um jogador correto e leal para com os seus adversários, e um defensor acérrimo do fair-play. A comprovar este facto está uma história curiosa, também ela de data desconhecida, mas que marca a história do próprio Académico do Porto, clube que sempre se pautou pela honestidade, dignidade, e cavalheirismo no seio do desporto. Reza então a história que em certo jogo – que os academistas precisavam de ganhar – Fonseca e Castro fez um golo, golo esse de pronto protestado pelos adversários que alegavam que a bola tinha estado fora das quatro linhas antes do avançado tirsense a introduzir na baliza. Perante o coro de protestos o árbitro da partida abeira-se de Fonseca e Castro para lhe perguntar se de facto a bola havia estado fora do campo antes deste a ter enviado para o fundo das redes. Com cavalheirismo e fair-play o jogador iria confirmar que de facto o esférico tinha estado fora, o que levou o juiz de imediato a invalidar um golo que acabaria por fazer falta ao Académico, uma vez que o emblema portuense perdeu o encontro em questão. Mas para Fonseca e Castro pior do que a derrota era a falta de honestidade e de caráter...